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Com avaliação positiva, petroleiros suspendem movimento e criticam ‘arbitrariedade’ do TST

Segundo federação da categoria, ações não prejudicaram o abastecimento e envolveram, "direta ou indiretamente", 26 mil trabalhadores. FUP reitera que empresa descumpre acordo coletivo
Publicado por Vitor Nuzzi, da RBA
14:03
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FUP

Protesto dos petroleiros no Rio: atividades envolveram ações solidárias pelo país, com doações de sangue

São Paulo –A Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiu nesta quarta-feira (27) suspender o movimento iniciado há dois dias e que iria até a próxima sexta (29, mas considerou positiva a mobilização contra a política da Petrobras. “Além de garantir a produção de petróleo e o abastecimento de combustíveis para a população – compromisso assumido e cumprido pelos trabalhadores do setor de petróleo –, o movimento conseguiu chamar a atenção da sociedade para a política de demissões e transferências em massa, de venda de ativos e de reajustes constantes da gasolina e do óleo diesel promovida pela atual gestão da empresa”, afirmou a entidade.

De acordo com a FUP, as ações reuniram, “direta e indiretamente”, 26 mil trabalhadores, mais de um terço do efetivo. “As atividades envolveram ações solidárias, como a participação dos petroleiros no Dia Nacional de Doação de Sangue em diversas cidades do País, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife, São Paulo e Curitiba, e permanecerão doando sangue até sexta com o mote #petrobrasnaveia”, diz a federação

Ontem, houve distribuição de mil cestas básicas a trabalhadores demitidos na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. E nesta quarta está prevista a venda, “a preço justo”, de 200 botijões de gás de cozinha em Campos dos Goytacazes, também no Rio.

A FUP considerou “arbitrárias” decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que em decisão liminar estabeleceu multa no valor de R$ 2 milhões por dia e, posteriormente, suspendeu o repasse mensal de recursos à federação e aos sindicatos filiados. “A última vez em que o TST tomou decisão similar foi em 1995, quando uma greve dos petroleiros afetou o abastecimento de combustíveis do país”, lembrou a entidade.

Mas a federação avalia que as determinações do ministro Ives Gandra Martins também são evidência do poder de mobilização dos petroleiros. “As decisões do TST reforçaram o potencial dos petroleiros, que se mobilizaram e garantiram o abastecimento dos combustíveis, que foram para as ruas em ações sociais”, afirmou o coordenador-geral da entidade, José Maria Rangel. “Nossa mobilização mostrou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, desconhece a legislação brasileira que dá direito de greve a todos os trabalhadores do País e desconhece a real situação da Petrobrás, que vem sofrendo com corte de pessoal e com a venda de ativos.”

A federação reitera que a companhia está descumprindo o acordo coletivo de trabalho (ACT), mediado pelo próprio TST, além de realizar “demissões e transferências em massa”, venda de ativas e “uma política de preços dos combustíveis que penaliza a população”. A empresa, diz a FUP, “incluiu metas de segurança, saúde e meio ambiente (SMS) como critérios para pagamento de bônus e concessão de vantagens, o que fere as cláusulas do ACT e podem atingir diretamente os interesses da sociedade, por aumentar o desemprego, colocar o meio ambiente em risco ao precarizar o trabalho, o trabalhador e as condições em que atuam.”

FUP e sindicatos já falam em organizar nova greve, agora contra a privatização da empresa. “Não assistiremos de braços cruzados ao desmonte que esse governo e a gestão irresponsável de Castello Branco estão impondo à companhia”, afirma Rangel. “A Petrobrás é do povo brasileiro e cabe a nós, os trabalhadores da empresa, chamar à luta a sociedade organizada, para que juntos possamos defender esse patrimônio que é de todos nós.”

Com informações da FUP