Ainda sem acordo

TST define rumos das campanhas dos trabalhadores dos Correios e da Petrobras

No caso da ECT, amanhã termina prazo fixado pelo tribunal. Empresas também estão na mira das privatizações

FUP
Trabalhadores da Petrobras chamam a atenção para o que chamam de entrega das riquezas do país, com avanço da privatização

São Paulo – Esta semana trará definições para as campanhas salariais dos trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e na Petrobras, que como desafio adicional têm a perspectiva de privatização desses setores, conforme planos do governo federal. Amanhã (17), termina prazo dado pelo ministro Mauricio Coutinho Delgado para que os representantes dos funcionários da ECT encaminhem resultado das assembleias da categoria, que na semana passada entrou em greve diante do impasse nas negociações com a empresa. O relator propôs manutenção do acordo coletivo até 2 de outubro, quando o dissídio irá a julgamento.

Já o vice-presidente do TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, deve apresentar até a próxima quinta-feira (19) uma proposta de acordo entre a Petrobras e os petroleiros. Nesse dia, as partes voltarão a se reunir, sob intermediação do tribunal trabalhista. Em reunião realizada em 29 de agosto, ficou acertada a manutenção do acordo coletivo até o próximo dia 30 – segundo a empresa, não haverá nova prorrogação.

A data-base dos petroleiros é 1º de setembro e a dos funcionários da ECT, 1º de agosto.

No início de agosto, a Petrobras apresentou sua terceira e “final” proposta para renovar o acordo. A empresa ofereceu reajuste salarial equivalente a 70% do INPC acumulado em 12 meses, até agosto. Isso equivale a aproximadamente 2,3% na data-base. No final de julho, a ECT também propôs reajuste abaixo da inflação: 0,8%, afirmando ter uma situação “sensível” do ponto de vista financeiro.

Os Correios foram incluídos em uma lista de privatizações feita pelo Executivo. E a Petrobras colocou à venda oito refinarias, que, conforme lembra a Federação Única dos Petroleiros (FUP), representam metade da capacidade de refino do país. “A Petrobras já está sendo gerida como empresa privada desde 2016. Por isso, começou a praticar uma política de preços de derivados em sintonia com o mercado internacional. Quem comprar as nossas refinarias não vai vender derivados aqui no Brasil com preços abaixo do mercado internacional”, diz o coordenador da FUP, José Maria Rangel. Ele observa que o preço médio do litro de gasolina passou de R$ 2,98, no final de 2013, para R$ 5.