Repressão

Metalúrgicos suspendem greve na Embraer e apontam ‘truculência’ policial

Sindicalistas afirmam que a PM, acionada pela empresa, intimidou os trabalhadores. Em negociação, nenhuma proposta nova foi apresentada

Roosevelt Cassio/Sind. Met. SJC
Sob vigilância de policiais, funcionários entram para o trabalho na Embraer. Sindicalistas afirmam que foram agredidos

São Paulo – Iniciada ontem, a greve dos trabalhadores da Embraer, em São José dos Campos, interior paulista, foi suspensa na manhã desta quarta-feira (25), informou o Sindicato dos Metalúrgicos da região. A entidade apontou “truculência” da Polícia Militar, que foi acionada pela empresa, e teria intimidado os funcionários. Ainda segundo o sindicato, dois dirigentes foram agredidos e um chegou a ser detido.

De acordo com os metalúrgicos, assembleia do pessoal da produção já havia decidido manter a paralisação. “O cenário mudou com a chegada dos funcionários do setor administrativo. Homens da Polícia Militar e da Tropa de Choque fizeram um corredor polonês para que, intimidados, os trabalhadores entrassem na fábrica”, diz a entidade. “Além da Polícia Militar, também estavam no local policiais da Aeronáutica.”

O sindicato informou ainda que dois de seus dirigentes, Alex da Silva Gomes e Herbert Claros, foram agredidos com golpes de cassetete. “Alex foi detido e levado para a Delegacia da Polícia Federal, mas não houve indiciamento”, acrescentou a entidade, que decidiu orientar os trabalhadores de todos os setores a entrar na fábrica diante da “truculência” da PM.

Em nota, a Embraer disse que respeita o direito à livre associação e manifestação, mas reprova fatos “que visam cercear o direito constitucional de ir e vir dos empregados”.

Negociação

Ontem à noite, representantes da empresa e dos metalúrgicos voltaram à mesa de negociação, mas nenhuma proposta nova foi apresentada. Por meio da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), que representa os setores econômicos, havia sido feita uma oferta de reajuste com base na inflação acumulada em 12 meses, até agosto, véspera da data-base (1º de setembro): 3,28%. Os metalúrgicos reivindicam 6,37%, com ganho real, e manutenção de todos os direitos previstos na convenção coletiva.

“A truculência da PM a mando da empresa é um crime contra o direito à livre organização sindical e ao direito constitucional de greve. A paralisação foi suspensa, mas a luta dos trabalhadores continua e a greve pode voltar a qualquer momento”, afirma Herbert Claros. A fábrica de São José está em processo de venda para a norte-americana Boeing. “Não é por acaso que a Embraer insiste na liberação da terceirização dentro da fábrica. A Boeing tem todo interesse em acabar com essa cláusula”, acrescentou o sindicalista.