Inclusão

Bancários criam ‘agente da diversidade’ para combater o preconceito

Ação faz parte da Campanha de Valorização da Diversidade deste ano, que também inclui censo para traçar o perfil da categoria

Reprodução/Contraf
Campanha de Valorização da Diversidade é política conquistada nas mesas de negociação

São Paulo – A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) lançou em agosto, durante a 21ª Conferência Nacional da categoria, a terceira edição da Campanha de Valorização da Diversidade, que tem por objetivo promover a equidade e a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho bancário para todas as pessoas, independentemente de raça, orientação sexual, identidade de gênero. A novidade desta edição é a criação dos agentes da diversidade, que vão promover ações de combate a todas as formas de preconceito.

No âmbito da campanha, os trabalhadores realizam também o 3º Censo da Diversidade Bancária, que traça o perfil da categoria, para servir de base para as ações de inclusão. A última pesquisa, realizada em 2014, apontou, por exemplo, que 51% dos funcionários eram homens brancos, 85% se disseram heterossexuais e 3,6% apresentavam algum tipo de deficiência.

Em entrevista à repórter Juliana Almeida, para o Jornal Brasil Atual desta terça-feira (3), a secretária de políticas sociais da Contraf-CUT, Rosalina Amorim, destaca que as políticas de promoção da diversidade são uma conquista da categoria tirada nas mesas de negociação. Segundo ela, o agente da diversidade será uma figura importante que vai dialogar com os trabalhadores e com os bancos sobre os temas da inclusão e do combate ao preconceito. Ela defende, por exemplo, que mais mulheres ocupem cargos de direção.

A bancária Daiane Fagundes diz que apesar de trabalhar numa instituição que promove a diversidade, ainda são poucas as mulheres negras, como ela, em altos cargos nas empresas. “Na divisão das equipes, as mulheres chegam a cargos de liderança, como coordenadoras, em grande número, mas quando se sobe na hierarquia – gerentes e intendentes ou vice-presidentes – esse número cai drasticamente. A mesma coisa ocorre com as pessoas negras.” Ela acredita que políticas de inclusão são importantes para encorajar e incentivar as pessoas a ocuparem os espaços no mundo do trabalho.

O ex-bancário João Pires, que tem deficiência motora nos braços e nas perdas devido a poliomielite na infância, alega não ter sofrido preconceito durante 20 anos que atuou no setor, mas também afirma que a presença de pessoas com deficiência ainda é baixa, concentrada em cargos de menor relevância. “É mais para cumprir a lei, do que uma valorização propriamente da pessoa com deficiência.”

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