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‘Dia de pressão’: trabalhadores marcham em São Paulo contra a ‘reforma’ da Previdência

Votação da PEC 6/2019, em segundo turno, deve começar nesta terça-feira na Câmara, mas trabalhadores mostram resistência
Publicado por Felipe Mascari
14:53
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FELIPE MASCARI/RBA

Ao percorrer as ruas do centro, após sair da Praça do Patriarca, os dirigentes sindicais conversavam e entregavam materiais explicativos sobre a 'reforma' proposta por Bolsonaro

São Paulo – Trabalhadores de diversas categorias marcharam pelas ruas do centro de São Paulo contra a “reforma” da Previdência, na manhã desta terça-feira (6). A mobilização, convocada pela CUT-SP, é provocada pela volta das atividades legislativas na Câmara dos Deputados, em Brasília e a retomada das votações da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, agora em segundo turno.

De acordo com o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, esta terça-feira foi um dia de pressão dos trabalhadores sobre os parlamentares. “Para combater essa política que acaba com o direito do trabalhador se aposentar, nós trabalhamos com a pressão, a luta e o convencimento da população. Vamos mostrar que deputados que votarem a favor da reforma, não se elegerão na próxima legislatura”, afirmou.

Ontem (5),  sindicalistas ligados à CUT estiveram em aeroportos para intensificar a pressão aos deputados que embarcavam para Brasília. Por todo o país, sindicatos e movimentos sociais também coletam assinaturas da população para o abaixo-assinado contra a “reforma” proposta pela governo Bolsonaro.

O secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), João Cayres, lembra que é preciso chamar a atenção para conseguir reverter, no mínimo, 70 votos no segundo turno – são necessários 308 votos para que a matéria seja aprovada e enviada ao Senado. “Após a aprovação no primeiro turno, já mudaram o discurso e, agora, não é a reforma que vai salvar a economia e o país precisa é de mudanças tributárias. Ou seja, é uma grande farsa (a reforma da Previdência) e prejudicará os mais pobres”, afirmou.

O ato também serve como um “esquenta” para o próximo dia 13, data de mobilização da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) contra a “reforma” da Previdência, em Defesa da Educação Pública e por Empregos. “Temos uma grande expectativa de ser enorme (a mobilização). Em São Paulo, estaremos na Avenida Paulista, a partir das 16h. Os trabalhadores mostrarão aos deputados e senadores que são contra a reforma que retira o direito de aposentadoria”, acrescentou Douglas.

Riscos

Ao percorrer as ruas do centro da capital paulista, após sair da Praça do Patriarca, os dirigentes sindicais conversavam com a população e entregavam materiais explicativos sobre os riscos da “reforma” como está proposta por Bolsonaro. “O governo tem gasto dinheiro público para convencer o trabalhador que a reforma é boa. O Bolsonaro comprou votos através das emendas, enquanto promove cortes no Estado. Por que eles não combatem a sonegação? Por que retiraram a taxação do agronegócio que aportaria R$ 82 milhões na Previdência? Enquanto isso, prejudica os trabalhadores que ganham pouco. A nossa é ideia é desmascarar tudo isso”, diz o sindicalista.

O secretário de Comunicação da Apeoesp (sindicato que representa os professores da rede pública estadual paulista), Roberto Guido, lembra que o governo federal ainda conta apoio da grande mídia para disseminar informações falsas sobre a PEC 6/2019, mas lembra que todo esse esforço ainda não foi suficiente para convencer a população de a reforma realmente é boa para todos. “Apesar do bombardeio midiático favorável à destruição da aposentadoria, é um produto que não é fácil de ser vendido. Os trabalhadores sabem que a aposentadoria será destruída e metade da população não caiu nessa mentira.”

Guido criticou um dos destaques aprovado na Câmara, que alterou a idade mínima de aposentadoria de professores para 55 anos (homens) e 52 anos (mulheres). Ele explica que as professoras ainda serão prejudicadas. “A professora, que tem uma dupla ou tripla jornada, terá que trabalhar mais sete anos. É um prejuízo enorme”, criticou.

O texto da reforma, aprovado em primeiro turno, prevê 15 anos o tempo de contribuição para os trabalhadores do sexo masculino do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Os homens, no entanto, só conquistarão direito à aposentadoria integral com 40 anos de contribuição, contra 35 anos de contribuição das mulheres. “Um trabalhador do setor privado fica, em média, sete anos desempregados. Antes, com 35 anos de contribuição, nós tínhamos que ficar 42 anos trabalhando e, agora, teremos que ficar 47 anos. Quem é que consegue ficar esse tempo todo?”, questiona Cayres.