Por que não parou?

Metroviários de São Paulo param, ferroviários desistem e motoristas de ônibus surpreendem

Paralisação do transporte coletivo urbano foi apenas parcial na cidade. Até ontem, expectativa era de que todos aderissem à greve geral

sindicato dos metroviários de sp
Trabalhadores no Metrô confirmaram decisão de parar nesta sexta-feira, enquanto ferroviários e motoristas de ônibus trabalharam

São Paulo – Considerado estratégico em qualquer greve geral, o setor de transporte coletivo urbano parou parcialmente em São Paulo. Das três categorias envolvidas, apenas os metroviários conseguiram interromper o serviço, principalmente na parte da manhã. Os ferroviários desistiram um dia antes, enquanto a surpresa ficou por conta dos motoristas e cobradores de ônibus, que ainda ontem (13) haviam ratificado a decisão de parar, mas trabalharam normalmente nesta sexta-feira na capital paulista.

O Sindicato dos Motoristas fez plenária na tarde de ontem, quando confirmou sua participação na greve geral convocada pelas centrais sindicais, pelo menos até as 6h. Estavam programadas assembleias às 5h na garagens, para falar sobre os riscos do projeto de “reforma” da Previdência. “É preciso ressaltar que o sindicato não se intimidou diante da pressão sofrida, por meio da liminar da Justiça que determinou a circulação de ônibus, principalmente nos horários de pico (5h às 9h e 17h às 20h)”, diz a entidade em seu site. “Temos percebido a insatisfação da população e acreditamos na unidade para vencer essa luta”, comentou o presidente em exercício do sindicato, Valmir Santana, o Sorriso.

Os sindicalistas que foram ainda na madrugada de hoje às garagens foram surpreendidos com o movimento normal. Um deles informou que o presidente da entidade, o deputado federal Valdevan Noventa (PSC-SE), se reuniu na véspera com o prefeito paulistano, Bruno Covas (PSDB). Depois disso, teria decidido “monocraticamente” – termo usado por esse dirigente – pela não participação da categoria. O parlamentar – que não participou da plenária de ontem – foi procurado várias vezes por telefone e via WhatsApp, mas não deu retorno, assim como seu substituto no sindicato.

O presidente da UGT (à qual o sindicato é filiado), Ricardo Patah, estava em reunião de avaliação do movimento, segundo assessores. As centrais têm reunião na próxima segunda-feira (17), para discutir os próximos passos contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6, que altera as regras da Previdência.

A assessoria da prefeitura negou o encontro. De acordo com a informação, o chefe do Executivo paulistano teve ontem apenas uma reunião com representantes do transporte escolar.

No caso dos ferroviários, os trabalhadores, que já haviam optado pela paralisação, decidiram também ontem não aderir à greve geral. Segundo o presidente de um dos sindicatos da categoria, Eluiz Alves de Matos, os funcionários entenderam em assembleia que não deveriam fazer paralisação, por não se tratar de uma questão específica do setor, mas continuam críticos ao projeto do governo, que ele chama de “proposta absurda”.

“Eles estão tentando tirar esse R$ 1 trilhão (suposta economia que o projeto traria em 10 anos, segundo o governo) nas costas dos mais fracos”, afirmou Eluiz. “Temos de continuar a mobilização. Ainda temos chance de derrubar (o projeto), ou pelo menos melhorar.”

O coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, destacou a “grande adesão” da categoria ao movimento, “mesmo com os problemas que tivemos com a desistência dos condutores e dos ferroviários”. Segundo ele, isso “quebra o espírito de unidade, mas vamos tentar superar nas próximas lutas”.

A paralisação no Metrô obrigou a empresa a acionar o plano de contingência, fazendo o sistema funcionar parcialmente.  De acordo com o sindicato, desde a noite de ontem, de aproximadamente 200 operadores de trem, apenas oito entraram para trabalhar. No setor de manutenção, foram cerca de 40, de um total de 400.

Os três modais transportam aproximadamente 17 milhões de pessoas por dia, na região metropolitana. São 9 milhões de passageiros nos ônibus, estimados 5 milhões via metrô e 3 milhões nas linhas da CPTM. A Justiça havia concedido liminares restringindo ou quase inviabilizando a greve, fixando multas aos sindicatos em caso de descumprimento.