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Com novo PDV, Petrobras quer a saída de até 12 mil trabalhadores, diz dirigente

Modelo de gestão da companhia, desde o governo Temer, privilegia o mercado e interesses dos acionistas.“Rentabilidade aos acionistas significa prejuízo à população', afirma coordenador da FUP
Publicado por Redação RBA
07:58
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José Maria Rangel

Segundo Zé Maria Rangel, o programa-recém-anunciado “busca limpar” geração remanescente dos anos 80

São Paulo – A Petrobras anunciou que seu Conselho de Administração aprovou novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Segundo a companhia, o plano envolve cerca de 4.300 funcionários e seu custo é estimado em R$ 1,1 bilhão. A expectativa de “retorno” é de R$ 4,1 bilhões entre 2019 a 2023. O objetivo é “promover a renovação nos quadros da companhia quando for identificada essa necessidade”, afirma a estatal. A medida desagrada as representações dos trabalhadores.

Para o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, os motivos para a categoria se posicionar contra o novo PDV não são os meramente políticos, mas por apontar que o governo atual não tem uma visão estratégica da empresa. “Outros dois PDVs tiraram da companhia 20 mil trabalhadores. A previsão é uma saída em torno de 10 a 12 mil, porque é a geração remanescente das contratações que visavam a atingir 1 milhão, 1,5 milhão de barris por dia, a geração dos anos 80”, diz o dirigente, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Segundo ele, o programa recém-anunciado “busca limpar esse pessoal da companhia”. “Os remanescentes dessa geração poderiam contribuir muito ainda, se a Petrobras tivesse uma mentalidade de expansão, exploração e de continuar a ser uma empresa integrada”. O efetivo da Petrobras hoje é de 45 a 50 mil trabalhadores.

A expansão do número de trabalhadores se deu em dois momentos das últimas décadas: quando foi descoberta a Bacia de Campos, no período do regime militar, e quando se descobriu o pré-sal, já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “Apesar das divergências quanto ao modelo, os militares naquele momento tinham uma visão estratégica da companhia, e isso fez com que fosse descoberta a Bacia de Campos.”

Com isso, houve um incremento nas contratações. “Da mesma forma na descoberta do pré-sal, no governo Lula, que também tinha uma visão estratégica da Petrobras como instrumento de desenvolvimento do Estado”, diz o petroleiro.

O modelo de gestão da companhia, desde o governo de Michel Temer – comandada por Pedro Parente –, privilegia o mercado e interesses dos acionistas.“Rentabilidade aos acionistas significa dizer prejuízo à população. O modelo de gerenciamento da Petrobras hoje é feito como se fosse uma empresa privada.”

No comunicado em que anuncia o PDV, a estatal afirma que “o efeito nas demonstrações financeiras ocorrerá à medida em que as adesões se efetivarem”.

Rangel comentou ainda a “reforma” da Previdência e como ela está sendo encarada pela categoria. Segundo ele, os trabalhadores já estão se dando conta do significado de um eventual sucesso do governo em conseguir aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6. “A ficha está caindo. As pessoas vão tendo mais informações, vão vendo que não se trata de uma reforma da Previdência, se trata de um ajuste fiscal para a classe trabalhadora.”