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‘Radicalidade consequente’ para consertar o Brasil, pede sindicalista

Enquanto trabalhadores ocupam as ruas em defesa da Previdência pública, governo congela mais gastos e reduz previsão para o PIB
Publicado por Redação RBA
13:42
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Adonis Guerra/SMABC
protestos

Manifestações pela Previdência pública também defenderam empregos, como no caso da Ford

São Paulo – O dia de protestos e manifestações contra a “reforma” da Previdência atinge mais de uma centena de cidades pelo país, e continuará na tarde de hoje (22) com atos nas capitais. Em São Paulo, a concentração será na Avenida Paulista, a partir das 16h. Durante as atividades que começaram logo cedo, representantes de centrais e movimentos sociais defenderam aumentar a mobilização para derrotar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6, em momento de fragilidade do governo. Também nesta sexta-feira, o Ministério da Economia anunciou bloqueio de quase R$ 30 bilhões no orçamento e reduziu sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Nos discursos pela manhã, sindicalistas lembraram do congelamento de gastos, iniciado ainda no governo Temer, e criticaram a desatenção para a área social. “Somente no ano passado, a título de juros e amortização da dívida, o Brasil destinou R$ 1,4 trilhão. É um governo rendido aos interesses do mercado especulativo do grande capital e do rentismo”, afirmou, ainda em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o presidente da CTB, Adilson Araújo, apostando no diálogo com a população. “Nós vamos derrotar esse governo lambe-botas.”

Adilson falou da possibilidade de uma greve geral caso o governo insista na tramitação da PEC 6. “Está na hora da radicalidade consequente para consertar o Brasil”, acrescentou.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, disse que a “reforma” da Previdência atingirá principalmente mulheres e os trabalhadores que mais precisam de assistência social. “É uma reforma que vem para satisfazer a gana do capital, dos empresários do setor financeiro, que querem essa fatia do mercado”, afirmou o dirigente, para quem a proposta do governo vai “desestruturar” as famílias, contrariando discurso de campanha do então candidato Jair Bolsonaro.

“Queremos que seja aberta a caixa-preta da Previdência, cobrar de quem deve. Esse debate é necessário. Essa reforma não é necessária, nesses moldes”, disse Miguel durante ato no Largo Rudge Ramos, em São Bernardo, depois de passeata que começou nas fábricas da Ford e da Mercedes-Benz naquela cidade do ABC paulista. Metalúrgicos da capital e do interior também fizeram assembleias e atrasaram a entrada em várias fábricas.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, afirmou que a reforma é “o fim da Previdência pública, é não permitir que você, que trabalhou a vida inteira, não tenha direito a uma aposentadoria decente”. Ele lembrou que o ato também foi em defesa dos empregos, já que a Ford anunciou o fechamento da fábrica de São Bernardo.