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Fechamento da Ford em SBC terá efeito cascata sobre população, diz professor

Unidade que responde pela fabricação de caminhões e do Fiesta ameaça emprego de até 4.500 funcionários
Publicado por Redação RBA
12:28
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ADONIS GUERRA/SMABC
Fechamento da Ford

‘Vamos ter 100 mil pessoas afetadas diretamente por isso, considerando os fornecedores’, alerta Bresciane

São Paulo – O anúncio do fechamento da fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, se concretizado, terá impactos negativos em cascata. De acordo com Luis Paulo Bresciani, professor de Administração na Fundação Getúlio Vargas (FGV), 100 mil pessoas serão atingidas diretamente, além dos efeitos secundários sobre a economia da cidade.

Segundo o especialista, imediatamente após o eventual fechamento, haverá um impacto num volume de dinheiro “gigantesco”. “Chega à casa de R$ 600 milhões ao ano, contando apenas os salários e rendimentos do trabalho. Se somar isso ao volume de negócios que deixarão de acontecer pela falta de renda dos trabalhadores e a retirada da empresa, o valor supera a casa do bilhão”, alertou o professor à Rádio Brasil Atual.

O Dieese, por exemplo, calcula que R$ 5 bilhões deixariam de ser movimentados em São Bernardo, já que a prefeitura e o governo estadual também deixarão de arrecadar impostos. 

Bresciani lembra que o fechamento da unidade é um descumprimento da responsabilidade social da empresa. Ele também diz que a montadora aguardou a aprovação do programa Rota 2030, que manteve incentivos para a abertura de fábricas na região Nordeste, o que beneficiou a planta da Ford em Camaçari, na Bahia.

“Vamos ter 100 mil pessoas afetadas diretamente por isso, considerando os fornecedores. Nós temos que lembrar que a Ford acessa uma série de recursos públicos, e esse dinheiro não pode ser utilizado como alavanca para fechamento de unidades, afetando milhares de pessoas”, criticou.

Na quinta-feira (7), representantes dos metalúrgicos do ABC se encontrarão com a direção mundial da Ford, nos Estados Unidos, para tentar reverter a decisão. “É importante que haja solidariedade porque não estamos tratando só da permanência da empresa, mas do desenvolvimento da região e do país.”

Ouça a entrevista