Resistência

Metalúrgicos do ABC vão se reunir com direção mundial da Ford

Trabalhadores buscam alternativas para evitar fechamento da fábrica de São Bernardo. Ministério Público do Trabalho fala em respeito a convenções sobre demissão em massa

Paulo de Souza/SMABC
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Wagner Santana, o Wagnão: “Não vamos desistir de manter uma empresa com essa importância em nossa região”

São Paulo – O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmou hoje (21) que será recebido pela direção mundial da Ford, nos Estados Unidos, para discutir a situação da fábrica de São Bernardo do Campo. Na última terça-feira, a empresa anunciou que pretende fechar a unidade ainda neste ano. A data da reunião ainda não foi marcada.

“Vamos à matriz discutir com a direção mundial, conversamos com prefeito da cidade, teríamos conversado com o governador na manhã de hoje, se ele tivesse convidado a representação dos trabalhadores para participar, já que a pauta envolvia o futuro de milhares de metalúrgicos. Não vamos desistir de manter uma empresa com essa importância em nossa região”, afirmou o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

O governador paulista, João Doria (PSDB), recebeu o presidente da Ford para a América do Sul, Lyle Watters. Também participou do encontro o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, do mesmo partido. Os representantes dos trabalhadores não foram convidados.

O aviso de fechamento foi feito durante reunião com a empresa. O sindicato cobrava investimentos na fábrica, conforme previsto em acordo. “Nossa direção foi ao encontro para discutir um calendário de negociações para a vinda de novos produtos, conforme estava previsto no acordo firmado em 2017, mas de início a empresa comunicou o fechamento, que seria em seguida anunciado para imprensa. Deixamos a reunião para fazer de urgência uma assembleia com os trabalhadores, para que eles não fossem avisados pela internet, o que seria um absurdo. Tem gente lá com 25, 28 anos de casa”, disse Wagnão. Na próxima terça-feira (26), os metalúrgicos farão assembleia na porta da fábrica.

Ainda hoje, o sindicalista se reuniu com a procuradora Sophia Villela de Moraes e Silva, do Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Bernardo. “Desde que fomos surpreendidos pela decisão de fechamento, todos os nossos esforços têm sido realizados focando a reversão desse processo e a manutenção da fábrica, com seus 4,2 mil trabalhadores, mais quase 25 mil na cadeia produtiva”, afirmou Wagnão. “Estamos fazendo nossas articulações e avaliando de que forma se dará nossa mobilização e nossa resistência. Mas ela haverá e será dura”, garantiu.

O MPT informou que abriu procedimento para “assegurar o respeito” a convenções internacionais sobre demissões em massa. “A convenção prevê a nulidade de qualquer forma de dispensa coletiva de forma unilateral, sem a prévia negociação com o sindicato profissional”, diz o Ministério Público.