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TEMPOS DIFÍCEIS

Em São Paulo, alimentação e moradia são itens que mais pesam para trabalhadores

Pesquisa Ibope, em parceria com a Rede Nossa São Paulo, indica que há 1,4 milhão de desempregados na capital paulista, dos quais 28% são jovens
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
17:12
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César Itiberê/Fotos Públicas
Desemprego

Tempo de procura por emprego chega a dois anos e amplia o número de desalentados

São Paulo – Comer e morar são os itens que mais oneram o orçamento familiar dos trabalhadores paulistanos, segundo pesquisa Ibope, em parceria com a Rede Nossa São Paulo. Para 43% dos entrevistados, com ênfase para famílias com renda até 2,5 salários mínimos, a alimentação é maior custo mensal. Outros 23% avaliam que o aluguel é o maior dispêndio da renda. Apesar disso, 52% dos 800 entrevistados considera que a renda se manteve estável nos últimos 12 meses, enquanto 31% consideram que ela diminuiu e 12% que aumentou.

A pesquisa revela também que 15% dos paulistanos estão desempregados atualmente – cerca de 1,4 milhão de pessoas. Destes, 28% são jovens até 24 anos e 33% estão desempregados há mais de dois anos. Do total, 4% deixaram de procurar trabalho por falta de perspectiva de conseguir. Além disso, mantém-se a percepção de que as mulheres têm menos oportunidades que os homens no mercado de trabalho: 47% dos entrevistados percebem que elas têm menos chances.

Uma percepção significativa das pessoas ouvidas é a desigualdade na oferta de empregos por região da cidade. O Mapa da Desigualdade, organizado pela Rede Nossa São Paulo, já evidenciara que existe uma concentração de empregos no eixo centro oeste da cidade. Na pesquisa atual, 48% dos paulistanos indicou que não há nenhuma oportunidade de trabalho na região onde moram. Outros 42% avaliam que há poucas oportunidades em seus bairros.

Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o problema da desigualdade de ofertas evidência um dos gargalos da política de trabalho e renda no país. “São Paulo é uma microcosmo do que acontece no Brasil. Um dos nossos maiores problemas é a descontinuidade de políticas de intermediação na busca do emprego pelo governo federal. Essas distâncias e a concentração de vagas prejudicam a população”, explicou.

Para ele, a situação dos jovens, que já são quase um terço dos desempregados, é preocupante. Sobretudo com os avanços tecnológicos que acabam eliminando postos de trabalho. “Temos já a atuação de inteligência artificial no telemarketing, que é um setor que emprega muitos jovens inexperientes. Em breve, esse programa de computador vai resolver tudo. E o que vamos fazer com esses milhares de jovens? É preciso pensar em políticas públicas, em como reorganizar a sociedade, “, avaliou.

A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Aline Cardoso, disse que a situação dos jovens é desesperadora. “A condição dos jovens desempregados e dos nem-nem (termo que designa jovens que não trabalham ou estudam) é ruim hoje, mas deve ser muito pior no futuro. Como vão se adaptar e inserir no mercado quando o emprego surgir, sem experiência, nem formação?”, ponderou. E disse que seu trabalho busca resolver essa “aberração” da concentração de empregos em algumas regiões da capital paulista.

Aline comemorou a estabilidade dos rendimentos relatada pelos entrevistados e também o aumento de 41% nos cadastros de Micro Empreendedor Individual (MEI) na cidade. Estes, no entanto, quando não são pequenos prestadores de serviços em negócio próprio, como cabeleireiros, tendem a ser contratados como Pessoa Jurídica (PJ) por empresas que visam reduzir custos, já que o MEI não tem cobertura da maior parte dos direitos trabalhistas.

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