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Reforma da Previdência deveria priorizar arrecadação, não corte de direitos

Para Clemente Ganz Lúcio, sistema previdenciário necessita de medidas relacionadas às desonerações de empresas e ao combate à sonegação
Publicado por Redação RBA
11:16
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EBC
Previdência

Empresas privadas devem R$ 450 bilhões aos cofres público. ‘É necessário um conjunto de mudanças nesse sentido’

São Paulo – A reforma da Previdência, proposta por Jair Bolsonaro, deveria ter como prioridade mudanças para aumentar a arrecadação, sem retirada de direitos. A avaliação é do diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. De acordo com ele, a Previdência Social necessita de uma reforma, mas que contemple medidas como a revisão da desoneração de empresas e o combate à sonegação.

“Há uma percepção de que é preciso mudanças. Porém,infelizmente, as principais mudanças não são relacionadas ao financiamento da Previdência, mas aos direitos dos trabalhadores, reduzindo direitos e custos para o Estado sem mexer na arrecadação, que deveria ser a principal iniciativa”, criticou Clemente em sua participação no Jornal Brasil Atual.

O diretor técnico do Dieese lembra que, segundo o relatório da CPI da Previdência, as empresas privadas devem R$ 450 bilhões aos cofres públicos e, para piorar a situação, conforme a Procuradoria da Fazenda Nacional, somente R$ 175 bilhões correspondem a débitos recuperáveis.

“Há desonerações que precisam ser revistas, são quase R$ 150 bilhões que deveriam entrar nos cofres da Previdência. Ainda há a sonegação e apropriação indébita. A CPI da Previdência mostra que existe uma dívida das empresas que ultrapassa R$ 450 bilhões, ou seja, é necessário um conjunto de mudanças nesse sentido”, explicou.

Os direitos que a reforma de Bolsonaro quer tirar passam pela fixação da idade mínima para aposentadoria em 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, aumento no tempo de contribuição, redução do valor do benefício pago aos idosos em situação de pobreza e também do valor da pensão por morte para 60% do benefício.

Ouça a íntegra do comentário de Clemente Gaz Lúcio