Sem direitos

Informalidade no mercado de trabalho deve avançar com governos de Bolsonaro e Doria

'A repressão de um lado e a quebra dos direitos do outro estão totalmente articuladas', diz Daniel Veloso Hirata, autor de pesquisa sobre o trabalho legal, ilegal e informal na periferia

Arquivo EBC/Reprodução
Trabalho informal

Para Hirata, o Estado também tem vínculos com trabalhos ilegais que crescem sobretudo nas periferias

São Paulo – Para o professor do Departamento de Sociologia e Metodologia em Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniel Veloso Hirata, sob os governos de Jair Bolsonaro (PSL), na esfera federal, e de João Doria (PSDB), no estado de São Paulo, as formas de trabalhoserão cada vez mais precárias, informais e ilegais diante da redução de direitos trabalhistas que vem sendo imposta às camadas mais pobres da população nos últimos dois anos.

Autor do livro recém-lançado Sobreviver na adversidade: mercados e formas de vida, publicado pelo Centro de Estudos da Metrópole, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), que retrata a realidade dos mercados legais, ilegais e informais na periferia, Hirata avalia que o próprio Estado está entrelaçado com as situações ilegais como o transporte clandestino, as chamadas biroscas ou botecos e até as biqueiras – pontos de venda de drogas.

Em entrevista à repórter Beatriz Drague Ramos, da Rádio Brasil Atual, o docente, ao destacar o fortalecimento destas atividades, analisa que as falas marcadas pelo punitivismo e militarismo de Bolsonaro e Doria podem provocar o fortalecimento de um certo justiçamento e mesmo o crescimento de grupos de extermínios nas periferias. “A repressão de um lado e a quebra dos direitos do outro estão totalmente articuladas. É uma coisa que funciona dos dois lados e uma alimenta a outra, porque vai deteriorando as condições de vida das pessoas e tentando se resolver isso na base da porrada”, afirma Hirata.

Ouça a reportagem