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Greve nos Correios é suspensa após proposta de acordo do TST

Movimento previsto para começar hoje foi suspenso depois de mediação do tribunal. Mas categoria ainda mantém "estado de greve" até novas assembleias, marcadas para o dia 14
por Redação RBA publicado 08/08/2018 18h36, última modificação 08/08/2018 18h50
Movimento previsto para começar hoje foi suspenso depois de mediação do tribunal. Mas categoria ainda mantém "estado de greve" até novas assembleias, marcadas para o dia 14
Heitor Lopes/fentect-cut
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Trabalhadores trazem uma reivindicação central, a manutenção do acordo coletivo do ano anterior

São Paulo – Os trabalhadores dos Correios decidiram em assembleias realizadas na noite de ontem (7) pela suspensão da greve, depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentou uma proposta de acordo que os sindicalistas consideraram positiva. “Diante dos ataques da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) ao acordo de trabalho, a proposta sinaliza um avanço, preservando as conquistas históricas”, afirma em nota a Fentect, federação nacional da categoria.

Mas os sindicatos ligados à Fentect mantiveram o "estado de greve", com novas assembleias programadas para o dia 14. A ideia é marcar, até lá, uma reunião com o vice-presidente do TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, que tenta costurar o acordo. “O tribunal precisa ouvir os trabalhadores, por isso lançamos um informe para dialogar com a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios (Findect, outra federação) na busca de unidade”, ressaltou o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

“Não quero dizer que o ministro vai mudar a situação, mas precisa ouvir e saber como é nossa realidade”, completou Rivaldo. A categoria se queixa de problemas relacionados com o sucateamento da estatal, que consideram proposital como parte de um plano do governo Michel Temer (MDB) de privatizar a empresa. Mesmo a proposta de acordo do TST leva em conta condições difíceis em que se encontram os trabalhadores dos Correios, especialmente em decorrência de cortes recentes.

O principal corte foi no custeio do plano de saúde. Desde o início do ano, a direção da ECT tenta alterar a cobrança do plano, que os trabalhadores consideram uma conquista histórica. Custeado em 95% pela empresa, a direção quer que os funcionários arquem com 50%, além de não poder incluir pais e mães. “Entendo que os trabalhadores ecetistas se encontram razoavelmente fragilizados, em função do recente ônus decorrente do custeio do plano de saúde”, afirmou o ministro do TST no texto da proposta. 

Para evitar cortes e precarização, os trabalhadores trazem uma reivindicação central: a manutenção do acordo coletivo. A proposta do TST contempla a exigência e ainda garante outro ponto importante, a reposição salarial da inflação do período medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O IBGE informou hoje que o INPC acumulado em 12 meses, até julho (véspera da data-base, é de 3,61%). Em duas rodadas anteriores de negociações, a direção da empresa, propunha a quebra do acordo coletivo, além de reajustes abaixo da inflação.

Em nota, a direção da ECT atesta que todas as unidades funcionam com normalidade e que possui um plano de contingência em caso de greve próxima. A empresa também se pronunciou sobre a proposta do tribunal. "Os Correios já se manifestaram favoráveis à proposta do TST (...) O tribunal condicionou a proposta à não realização de greve por parte dos trabalhadores. Além disso, solicitou, que a proposta fosse levada às assembleias e que uma resposta fosse dada pelas federações."