campanha salarial

Na quinta rodada de negociação, bancários e Fenaban discutem reajuste salarial

Trabalhadores cobram do setor patronal proposta que cumpra compromisso assumido pelos bancos em 13 de junho e que contemple aumento real, PLR maior, empregos e manutenção dos direitos

arte seeb-sp / reprodução
bancarios fenaban 2018

São Paulo – Representantes de bancários de todo o Brasil, que compõem o Comando Nacional da categoria, sentam-se nesta quarta-feira (1º) à mesa para a quinta rodada de negociações com a a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) da campanha salarial deste ano. O tema é de hoje são as cláusulas econômicas, e a expectativa é de que as empresas apresentem uma proposta que contemple as reivindicações dos trabalhadores. Durante toda quarta-feira será realizado um tuitaço com a hashtag #QueroAumentoReal para cobrar melhores salários e participação nos lucros ou resultados (PLR) melhor.

​Na rodada de negociação de 12 de julho, os bancos recusaram assinar o pré-acordo de ultratividade, que garantiria a validade dos direitos dos bancários até o final das negociações da atual campanha nacional. A justificativa dada pelos negociadores da Fenaban foi de que, no dia 1º de agosto, um mês antes da data base da categoria (1º de setembro), apresentariam uma proposta final para ser apreciada pelos trabalhadores, o que será cobrado pelo Comando Nacional da categoria. “Queremos respostas para todas as reivindicações já debatidas de saúde e condições de trabalho, emprego, igualdade de oportunidades, além das cláusulas econômicas que serão tratadas nesta quarta”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, também coordenadora, reforça que os trabalhadores devem manter a mobilização para defender todos os direitos contidos na convenção coletiva de trabalho, além da garantia dos empregos, com aumento real e PLR maior. “Os bancos podem valorizar seus empregados, pois têm lucros cada vez maiores mesmo na crise. E nada mais justo, já que é o trabalho e dedicação desses bancários, muitas vezes ao custo de suas saúdes, que fazem os bancos lucrarem tanto”, destaca Ivone.

Segundo a Contraf-CUT, os números e indicadores comprovam a plena capacidade dos bancos de atender às reivindicações da categoria. Em 2017, as cinco maiores instituições financeiras que compõem a mesa de negociação pela Fenaban (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica), lucraram juntas R$ 77,4 bilhões – valor que representa 33,5% mais que no ano anterior. Santander e Bradesco já anunciaram seus resultados do primeiro semestre deste ano e mantêm tendência de alta: o lucro do Santander cresceu 27,5% (R$ 5,9 bilhões) e o do Bradesco aumentou 9,7% (R$ 10,2 bilhões), em relação a igual período do ano passado. 

“Que setor cresceu dessa maneira numa crise da proporção que estamos vivendo no Brasil?”, questiona Juvandia. “Isso é resultado do trabalho dos bancários, muitas vezes além do limite para alcançar os resultados perseguidos pelos bancos”, critica. A presidenta da Contraf-CUT lembra ainda que mais de 40 mil postos de trabalho foram extintos pelo setor em cinco anos. “Bancos são responsáveis por apenas 1% dos empregos criados no Brasil entre 2012 e 2017, mas por 5% dos afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho”, afirma, citando levantamento realizado pela Fecomércio.

Confira vídeo de Ivone Silva, desmentindo “mitos” sobre os bancos: