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Demissão em massa

Demitidos da Editora Abril lutam para receber verbas rescisórias e direitos

"As pessoas se veem jogadas em uma situação de amargura e desespero, sem nada", destaca presidente do Sindicato dos Jornalistas
por Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual publicado 21/08/2018 12h48, última modificação 21/08/2018 18h40
"As pessoas se veem jogadas em uma situação de amargura e desespero, sem nada", destaca presidente do Sindicato dos Jornalistas
editora abril

Entre os demitidos estão jornalistas, gráficos e profissionais da área administrativa

São Paulo – A Editora Abril promoveu no início de agosto uma demissão em massa dispensando de uma só vez 800 funcionários. Faltando apenas um dia para o fim do prazo de pagamento de suas verbas rescisórias, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, acatado de forma rápida pela Justiça.

Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, explica que a medida desobrigou a empresa de honrar os pagamentos aos ex-funcionários no prazo devido. "Você demite funcionários e até o décimo dia tem que pagar as verbas rescisórias. Ali, tinha gente com 10, 20, 30 anos de casa. No dia em que as pessoas iriam começar a receber suas verbas rescisórias a empresa entrou em recuperação judicial, que é uma legislação de proteção às empresas, de forma que as suas dívidas passam a ser jogadas para um plano incerto, e as verbas trabalhistas estão entre elas."

"Esse conjunto de funcionários da Editora Abril de um dia para o outro se viu sem salários e sem nenhum tostão para poder sobreviver. O que nos causa muita indignação é que os donos, com a própria empresa, ao longo das décadas, acumularam uma fortuna de bilhões e apenas uma pequena fração disso hoje poderia pagar as verbas rescisórias e os direitos de todo mundo que ajudou a construir essa empresa e essa fortuna", argumenta Zocchi. "E as pessoas se veem jogadas em uma situação de amargura e desespero, sem nada."

Entre os demitidos estão jornalistas, gráficos e profissionais da área administrativa. Em assembleia, foi formado o Comitê dos Jornalistas Demitidos para acompanhar o caso. Patricia Zaidan, ex- redatora chefe da revista Claudia e integrante do Comitê, diz que muito mais de 800 funcionários foram prejudicados, já que havia muitos prestadores de serviços que também foram afastados da editora.

"O impacto, no sentido pessoal, foi muito grande porque são 800 funcionários, e muitos outros dependiam de nós. Além dos funcionários, foram afetados prestadores de serviços da Abril como os repórteres, freelancers, colaboradores de texto, então é um número que nem conseguimos calcular de pessoas atingidas", aponta. "Imagina um trabalhador ir cotidianamente na empresa, passar muitas vezes madrugadas em fechamento e chegar no momento de uma demissão não ter sequer os direitos que o seu trabalho garantiu por lei. É profundamente desgastante para nós termos que brigar com a editora Abril para receber aquilo que nos é de direito. Diria que é um golpe, um calote."

Foram encerrados 11 títulos de revistas da editora, dentre eles, Cosmopolitan, Elle, Viagem e Turismo, Mundo Estranho e Guia do Estudante.

O Sindicato dos Jornalistas e o Ministério Público do Trabalho ingressaram com uma Ação Civil Pública questionando a demissão em massa. Paulo Zocchi ressalta que um processo de demissão de muitos funcionários deve passar por negociação prévia com as entidades de representação profissional.

Está marcada para a próxima sexta-feira uma reunião entre o Sindicato dos Jornalistas e representantes da Editora Abril para discutir a situação dos funcionários demitidos.

Confira a íntegra da reportagem: