Campanha salarial

Bancos dirigem R$ 1,6 bi em publicidade a mulheres, mas discriminam, diz sindicato

Entre as propostas de retirada de direitos apresentadas pela Fenaban, está a redução do valor de PLR pago às empregadas em licença-maternidade

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Mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens

São Paulo – Os cinco maiores bancos que atuam no Brasil (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) gastaram R$ 1,6 bilhão em publicidade no primeiro semestre. Em geral, as propagandas dessas instituições financeiras vendem a imagem de respeito às mulheres. Mas na vida real é bem diferente, segundo os representantes dos bancários. Eles lembram que uma das propostas apresentadas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na rodada de negociação realizada na quarta-feira (21), retira das bancárias em licença-maternidade o direito ao pagamento integral da participação nos lucros ou resultados (PLR), tornando o benefício proporcional aos dias trabalhados.

O mesmo valeria para trabalhadores afastados por doença ou acidente de trabalho, segundo a proposta patronal. Os sindicalistas observam que os bancos criaram apenas 1% dos empregos no Brasil entre 2012 e 2017, mas foram responsáveis por 5% dos afastamentos por doença nesse período.

“Os bancos tentam vender para a sociedade uma imagem, mas na realidade discriminam as mulheres, nesse caso ainda mais grave, as bancárias mães. É inaceitável e já dissemos isso aos negociadores da Fenaban na mesa de negociação”, critica a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando dos Bancários, que negocia com a Fenaban.

“Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens. Os banqueiros querem penalizá-las ainda mais propondo a redução de uma conquista adquirida durante anos, após muita luta, de toda a sociedade, que é a manutenção de seus direitos durante a licença-maternidade. As bancárias já recebem salários menores, têm menos oportunidades de ascensão profissional, problemas que precisam ser corrigidos. Um absurdo e não vamos aceitar mais essa discriminação”, reforça a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, também coordenadora do Comando. “A ganância dos bancos em aumentar seus lucros adoece bancários e prejudica os trabalhadores.”

Desigualdade

A injusta realidade das mulheres bancárias fica ainda mais evidente quando se observa que elas têm escolaridade maior que a dos homens do setor: 80% das trabalhadoras dos bancos têm nível superior completo, enquanto entre os homens esse percentual cai para 74%. Em seus relatórios anuais de sustentabilidade os bancos apresentam algumas informações que ilustram a desigualdade com a qual as mulheres são tratadas nestas instituições. No Bradesco, por exemplo, o salário médio das mulheres da área de supervisão ou administrativa representa apenas 85% do salário médio dos homens que trabalham na mesma área.

Além da diferença salarial, a injustiça se expressa também no acesso aos cargos mais altos: o Santander, por exemplo, tem 161 homens diretores e apenas 33 mulheres no mesmo nível de cargo. Nos cargos gerenciais, são 655 homens e 234 mulheres. E isso em um banco, lembram os bancários, que tem em seu quadro 59% de mulheres. No Itaú, a situação não é diferente: a diretoria tem 94 homens e apenas 13 mulheres.

Mesmo nos bancos públicos a discriminação de gênero é visível. A diretoria estatutária do Banco do Brasil tem 36 homens e apenas uma mulher. Na Caixa, só 7% dos cargos de dirigentes são ocupados por mulheres.

“Por isso, a promoção da igualdade de oportunidades é cláusula da nossa convenção coletiva desde o ano 2000 e é uma luta diária da categoria”, completa Juvandia.