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Bancários cobram garantia de emprego em nova negociação com Fenaban

Único setor que segue sem ser abalado pela crise continua desempregando, levando a categoria a prestar maus serviços à população e a aumentar os números de adoecimento por más condições de trabalho
Publicado por Redação RBA
11:34
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Seeb-SP / Reprodução
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São Paulo – O Comando Nacional dos Bancários – representação da categoria junto ao setor patronal – volta a se reunir nesta quarta-feira (25) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), para mais uma rodada de negociações da campanha salarial. A pauta da reunião é a garantia de emprego, em um setor que, apesar dos lucros astronômicos, eliminou mais de 57 mil postos de trabalho desde 2012.

A categoria também reivindica cláusulas contra contratos precários, previstos na legislação após a “reforma trabalhista”. Bancários de todo o país foram convocados a participar de um tuitaço para reivindicar o fim das demissões e mais contratações no setor financeiro, para melhorar o atendimento à população e reduzir a sobrecarga de trabalho. A hashtag a ser usada é #empregoébomeeugosto.

Clientes também podem participar do tuitaço para expressar sua insatisfação com as grandes filas e o atendimento precário nas agências, problemas decorrentes da falta de funcionários. Na semana passada, quando a pauta da negociação foi o combate ao assédio moral nos locais de trabalho, a hashtag #QueroTrabalharEmPaz esteve entre os assuntos mais comentados no Twitter.

A categoria reivindica responsabilidade social equivalente à lucratividade do setor. Em 2017, os cinco maiores bancos no Brasil (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa) lucraram, juntos, R$ 77,4 bilhões, crescimento de 33,5% em relação ao ano anterior.

Só no primeiro trimestre deste ano, os mesmos cinco já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que em igual período de 2017. Por outro lado, entre janeiro de 2012 e junho de 2018, os bancos eliminaram 57.045 postos de trabalho, o que representou redução de 11,5% neste período. Uma média de 731 desempregados por mês. No primeiro semestre, o total de vagas extintas já chegou a 2.846. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

“Os bancos não têm razão para demitir e é isso que vamos cobrar na rodada de negociação desta quarta-feira”, afirma a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. “Queremos respeito aos empregos e também garantir na CCT que os bancários não sejam trocados por trabalhadores terceirizados, nem pelas formas de contratação previstas na lei trabalhista do pós-golpe, como autônomos, intermintentes”, reforça a dirigente, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Os trabalhadores também reivindicarão proteção contra contratos precários, previstos na nova lei trabalhista, como o de trabalho intermitente, terceirizado e hipersuficiente (veja abaixo). “A lei trabalhista, que é fruto do golpe e foi feita sob encomenda para maus empresários, ameaça a categoria bancária. Um dos pontos da nossa pauta é garantir cláusula na convenção coletiva que impeça os bancos de substituírem bancários por terceirizados ou por intermitentes e temporários”, destaca a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva, também coordenadora do Comando Nacional.

Segundo dados da Contraf-CUT, o número de clientes por empregado subiu 13,3% no Bradesco; 6,9% no Santander; 14% na Caixa; 6,9% no Itaú; 6,7% no BB. Para a entidade, isso se traduz em sobrecarga, estresse, pressão por metas, assédio moral e o consequente adoecimento da categoria. “Um setor que bate recorde de lucratividade todos os anos há quase duas décadas, devolve à sociedade brasileira uma legião de desempregados e adoecidos”, ressalta Juvandia, lembrando que o setor foi responsável por apenas 1% dos empregos criados no país, mas provocou 5% dos afastamentos por doença, entre 2012 e 2017 (de acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho).

Por isso mesmo, é também o que mais causa gastos ao INSS: 6% do total de recursos para afastados são consequência do modo de gestão dos bancos. São responsáveis, ainda, por 21,2% do total de afastamentos do trabalho por transtorno depressivo recorrente, 18% por transtornos de ansiedade, 14,6% por reações ao estresse grave e 17,1% do total de afastamentos do trabalho por episódios depressivos.

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