impactos negativos

Privatização da Eletrobras provocará aumento da tarifa e menos acesso à energia

Trabalhadores realizaram atos pelo Brasil, nesta segunda, contra a capitalização da estatal. A comissão especial que analisa o projeto de venda da empresa na Câmara ouve hoje o presidente da estatal

EBC/Wilson Ferreira Junior
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Governo não quer debater os impactos da privatização. ‘Só se fala em dinheiro’, critica diretora da FNU

São Paulo – Os eletricitários realizaram manifestações nesta segunda-feira (16), em todo o Brasil, contra a privatização da Eletrobras. Um dos atos foi concentrado no Ministério de Minas e Energia, em Brasília. De acordo com a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), a capitalização da estatal elevará a tarifa, terá impactos negativos para a população e reduzirá a distribuição de energia.

Em entrevista ao repórter Rafael Garcia, da Rádio Brasil Atual, a diretora da FNU, Fabíola Antezana, explica que os atos estão ganhando mais força já que a privatização da Eletrobras está em pauta na Câmara dos Deputados. Nesta terça-feira (17) a comissão especial que analisa o projeto de venda da empresa ouve o presidente da estatal, Wilson Ferreira Jr.

Houve atos em Florianópolis, Maranhão, Amazonas, Recife, Rio de Janeiro e Goiânia. Muitos se somaram com a gente, porque sabem que esse processo penaliza a sociedade brasileira. É a entrega dos nossos serviços e aumento da tarifa”, diz Fabíola.

A diretora lembra que há um estudo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que aponta um aumento imediato de 17% da tarifa caso a empresa seja privatizada. De acordo com ela, isso se dá pela ‘descotização’ das usinas da Eletrobras. “São empreendimentos que têm 30 anos de concessão e no governo Dilma tiveram sua energia transformada em cotas, que significam uma energia mais barata. Atualmente, em média, custa R$ 40 o megawatt/hora. A descotização passará esse valor para uma média de R$ 200, o que resulta nessa porcentagem”, explica.

Além do aumento do preço, outro problema apontado por ela está na distribuição de energia. Fabíola afirma que há regiões pouco lucrativas que podem “ficar na mão”, como o Norte e Nordeste. “A Companhia Energética de Goiás (Celg) foi privatizada em 2017. Os resultados operacionais do ano passado mostram que são os piores desde sua criação. Os goianos ficam sete vezes mais sem energia. Isso é resultado da lógica privada, que enxugou a parte operacional e esqueceu de atender a população”, critica.

Segundo ela, o governo não quer debater os impactos que a privatização causará. “Só se fala em dinheiro, em nenhum momento se coloca o impacto para a sociedade”, lamenta. “A troca do ministro é uma sinalização de desespero do governo para poder entregar a fatura Eletrobras, que está numa bandeja e querem passar o mais rápido possível”, acrescenta a diretora da FNU.

Um dos principais impactos sociais para os quais Fabíola chama atenção é o controle de vazão de água; ela cita o Rio São Francisco como exemplo. “Lá não há tanta vazão e serve para a energia elétrica, irrigação, abastecimento, agricultura e ainda para a própria transposição. No ano passado, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesfdeixou de gerar energia para poder dar vazão da água e abastecer os municípios. Numa lógica de empresa privada, elas não terão um prejuízo e vão deixar de gerar energia, ela não pensaria na população daquelas cidades.”

Ouça a entrevista na Rádio Brasil Atual: