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sem causa

Metroviários demitidos enfrentam governo Alckmin em luta pela reintegração

Demitidos em 2014 como retaliação por greve, trabalhadores aguardam decisão do TST para retomar seus postos
por Juliana Gonçalves, do Brasil de Fato publicado 27/02/2018 12h06, última modificação 27/02/2018 12h57
Demitidos em 2014 como retaliação por greve, trabalhadores aguardam decisão do TST para retomar seus postos
Fernanda Peluci/Esquerda Diário
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Ato na quinta-feira (22) denunciou as demissões realizadas no Metrô em retaliação à greve de 2014

Brasil de Fato – Foram cinco dias de greve dos metroviários de São Paulo em 2014, a maior desde 1988. Entre as reivindicações, os trabalhadores queriam aumento salarial de 10% e auxílio creche para os pais de filhos pequenos. Como retaliação o Metrô demitiu 40 trabalhadores ilegalmente.

Três deles foram readmitidos poucos meses depois,  por serem integrantes da executiva do sindicato e terem uma estabilidade diferente. Porém, os outros 37 metroviários permanecem sem poder retornar ao seu trabalho, mesmo com vitória já obtidas em duas instâncias da Justiça.

Marília Rocha, diretora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, e uma das demitidas, conta que a demissão ilegal, por justa causa e sem provas,  foi usada para encurralar a categoria. "Na verdade pegaram pessoas de forma aleatória para tentar fazer de exemplo, amedrontar a categoria para que ela saísse da greve", disse Marília.

Por não poder demitir por justa causa os trabalhadores em greve, o Metrô usou de alegações como "perturbação da ordem", que não foram provados durante o julgamento.

"As sentenças dos juízes da primeira e da segunda instâncias foram favoráveis à gente porque se demonstrou que foi uma demissão política. Aapesar de termos ganhado, não fomos reintegrados ainda porque só seremos quando terminarem todas as instâncias", comentou Marília. Ela afirma que acredita na reintegração dos colegas.

Gabriel Amorim, trabalhador da estação Sé que também foi demitido em 2014, espera que possa voltar a trabalhar, embora entenda que depois do golpe a situação piorou.

"A condição dos trabalhadores do Metrô e em todo o Brasil é cada vez mais a precarização do trabalho. Os trabalhadores têm pago o preço do discurso da crise", contou Gabriel.

Uma onda de demissões por uma suposta  “baixa produtividade” ocorre atualmente no metrô. Foram cerca de 200 cortes nos últimos seis meses, 40 deles nos dois primeiros meses deste ano, segundo estimativa dos próprios metroviários. Os trabalhadores creditam as demissões à tentativa de se privatizar o Metrô.

Com a vida estagnada, os 37 demitidos receberam a solidariedade dos outros trabalhadores do metrô e a prova da importância de um sindicato fortalecido. Em assembleia, foi decidida uma contribuição mensal aos demitidos.

"A solidariedade parte dos próprios trabalhadores que participaram da greve com a gente,  uma das mais duras da nossa história, e viram como era fundamental não deixar sem eira nem beira os companheiros que ficaram para trás nessa luta", disse Gabriel.

Sem data para o julgamento em última instância no Tribunal Superior do Trabalho, os demitidos esperam ainda neste ano poder voltar a seus postos de trabalho.

Procurados, o Metrô de São Paulo e a Secretaria de Transporte Metropolitano não se manifestaram até o fechamento dessa matéria.