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Previdência

Centrais reafirmam greve se reforma for votada. Transporte deve parar

Sindicalistas confirmam 'estado de greve permanente' e atividades para pressionar governo e Congresso Nacional
Publicado por Vitor Nuzzi, da RBA
15:46
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Roberto Parizotti/CUT
centrais sindicais

Representantes das centrais voltarão a se reunir na próxima quinta (14), para avaliação do quadro

São Paulo – As centrais sindicais reafirmaram nesta sexta-feira (8) que haverá greve no país caso o governo e o Congresso Nacional insistam em pôr em votação a “reforma” da Previdência. Sem definição de quando isso acontecerá, os dirigentes também optaram por não definir uma data de paralisação, proposta que chegou a ser discutida na reunião desta sexta-feira, durante quase três horas, na sede da CUT, na região central de São Paulo, mas a opção foi pela confirmação de um “estado de greve permanente”. Na próxima segunda (11), sindicalistas do setor de transportes, de diversas centrais, poderão aprovar paralisação.

Participaram da reunião, além da anfitriã CUT e do Dieese, representantes da Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, CGTB, CSP-Conlutas e Intersindical. Todos voltarão a se reunir na próxima quinta (14), no mesmo local, para avaliação do quadro.

O calendário aprovado para a “jornada de lutas” nos próximos dias inclui realização de plenárias e assembleias e pressão sobre os deputados nas ruas, aeroportos e no próprio Congresso. Uma ideia da mobilização poderá ser dada na segunda, quando haverá a plenária dos transportes na sede do Sindicato dos Condutores de São Paulo. “Estamos juntando musculatura para fazer uma grande greve nacional caso o governo insista em pôr (a reforma) em votação”, afirmou o presidente da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, o Luizinho. Segundo ele, a chance de aprovação de greve no setor “é grande”.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, lembrou que parlamentares favoráveis ao projeto do governo serão apontados como “traidores da classe trabalhadora e enfatizou a campanha unitária das centrais contra propostas que retiram direitos sociais. O calendário de lutas aprovado, segundo ele, serve como “aquecimento” para os trabalhadores “se porventura eles tiverem a ousadia de marcar a votação”.

Vagner afirmou que a luta é contra “o grande empresariado, que está usando esse governo golpista” para impor reformas. Na quarta-feira (13), estão previstas mobilizações nas bases e atos pelas capitais e grandes cidades. 

Campanha mentirosa

“Mobilização, resistência e luta serão fundamentais. Bem como ocupar o Congresso Nacional e pressionar as bases dos parlamentares será estratégico nesta etapa”, disse o presidente da CTB, Adilson Araújo. O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, afirmou que serão realizadas manifestações, assembleias e panfletagens contra a reforma, enquanto se avalia o cenário no Congresso – o Planalto já falou em pôr a reforma em votação e recuou diversas vezes, sem ter garantia de quórum para aprovação.

Integrante da executiva da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha, disse que não se pode descartar a possibilidade de a votação ocorrer ainda neste ano. “Achamos que o governo vai até as últimas consequências. Todas as iniciativas são importantes para acumular e organizar uma greve geral.”

As centrais divulgaram nota na qual afirmam que a campanha publicitária do governo é “mentirosa e contrária aos interesses do povo brasileiro”. Segundo as entidades, a proposta de “contrarreforma”, como definem, não tem o objetivo anunciado de combater privilégios. “Vai retirar direitos, dificultar o acesso e achatar o valor das aposentadorias e pensões dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil, bem como abrir caminho para a privatização do sistema previdenciário, o que contempla interesses alheios aos do nosso povo e atende sobretudo aos banqueiros.”

Segundo os sindicalistas, “os atuais ocupantes do Palácio do Planalto servem a essas classes dominantes”. Prova disso seria o fato de o governo ter voltado atrás em sua decisão de votar apenas no ano que vem: “Voltou atrás por pressão do chamado ‘mercado’, ou seja, do empresariado e de seus porta-vozes na mídia”. Na saída do encontro, os dirigentes entoaram o bordão “Se botar pra votar, o Brasil vai parar”.