Sem acordo

FUP indica greve caso Petrobras insista em retirar direitos

Petroleiros fazem assembleias para avaliar proposta a partir da próxima segunda-feira

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 São Paulo – A partir da próxima segunda-feira (20), assembleias dos petroleiros por todo o país vão avaliar – e provavelmente rejeitar – proposta feita pela Petrobras para renovar o acordo coletivo, prorrogado até o dia 30 deste mês. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) fala em um calendário de mobilização, “culminando com uma greve por tempo indeterminado, caso a Petrobras insista em retirar direitos da categoria”. A entidade afirma que os cortes propostos reduzirão a folha de pagamento em pelo menos R$ 800 milhões, “além dos cerca de R$ 4 bilhões que os gestores já economizaram desde 2015 cortando ‘custos’ com trabalhadores”.

A decisão saiu depois de dois dias de reunião do Conselho Deliberativo, formado pela FUP e sindicatos filiados, em Curitiba. “Os drásticos cortes que vem ocorrendo às custas do fechamento de 18 mil postos de trabalho promovido pelos PIDVs e da retirada de direitos fazem parte do mesmo pacote de privatizações e de desinvestimentos que beneficia o mercado e as empresas que concorrem diretamente com a Petrobras”, diz a FUP, referindo-se a programas de incentivo ao desligamento, feitos pela companhia presidida por Pedro Parente.

“Enquanto os trabalhadores e a nação brasileira sofrem as consequências deste desmonte, os banqueiros se refestelam com os R$ 108 bilhões que receberam este ano de Parente em amortizações de parte da dívida e pagamento de juros, sendo que R$ 40 bilhões só no último trimestre”, acrescenta a FUP. “A riqueza que geramos com o nosso trabalho já está sendo transferida a toque de caixa para o sistema financeiro, quando deveria gerar valor para a sociedade, através de uma política de desenvolvimento e industrialização. A gestão golpista que se apropriou da Petrobras quer mais sacrifícios dos trabalhadores e agora mira no Acordo Coletivo, propondo retirada de direitos históricos para que gere mais caixa para os banqueiros e facilite a privatização das unidades.”

Segundo a FUP, apenas a mudança na remuneração das horas extras significará R$ 337 milhões a mais de “economia” para a empresa, “às custas de redução de direitos”. A entidade lembra ainda que apenas neste ano os investimentos feitos pela empresa caíram 19% em relação a 2016.

Nos indicativos às assembleias, o Conselho Deliberativo estabelece que a greve fica “pré-aprovada” em caso de redução de direitos. E a renovação do acordo coletivo deverá ter “salvaguardas” ao que os petroleiros chamam de “contrarreforma trabalhista”, referência à Lei 13.467. A data-base da categoria é 1º de setembro.