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Confederações do setor químico e vestuário/têxtil discutem fusão

Entidades ligadas à CUT aprovaram início de processo, que apontam como tendência mundial e reação em defesa dos direitos sociais

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Lucineide (esq.) e Cida: união para fortalecer os trabalhadores e enfrentar a luta em defesa de direitos

São Paulo – As direções da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ) da CUT e da Confederação Nacional dos Trabalhadores/as do Ramo Vestuário (CNTRV) começaram a discutir a unificação das entidades, um processo que levará ainda alguns anos. “O mundo está fazendo isso”, diz a presidenta da CNQ, Lucineide Varjão, que aponta a importância estratégica do tema.

Na CNTRV, a deliberação saiu durante reunião da direção, no final de julho. “Esta é uma decisão histórica e pioneira no Brasil. Não se trata apenas de uma fusão de duas entidades, mas sim de um projeto político de unidade e fortalecimento da luta e organização dos trabalhadores e trabalhadoras dos ramos químico e vestuário, filiados à CUT”, afirma a presidenta da entidade, Cida Trajano, para quem a unificação “representa, acima de tudo, uma forma de reação à conjuntura e defesa incondicional dos trabalhadores e trabalhadoras”. 

A CNQ havia aprovado a realização de ações no rumo da unificação durante seu oitavo congresso, também no mês passado. “Aprovamos que a nova direção faça o debate”, lembra Lucineide. “Na situação que estamos passando, é de fundamental importância nos unirmos. Quanto mais solidários estivermos, mais firmes estaremos nas nossas lutas.”

Ela destaca a própria formação do IndustriALL, sindicato global, criado em 2012 a partir da união entre três federações internacionais de trabalhadores: Icem (químicos, petroleiros e trabalhadores em energia), Fitim (metalúrgicos) e FITTVC (têxteis e vestuário).  As duas entidades brasileiras são filiadas ao IndustriALL, que tem o também brasileiro Valter Sanches como secretário-geral.

Além das afinidades políticas, a dirigente da CNQ aponta convergências econômicas entre as entidades. “O nosso ramos tem nove segmentos, que perpassam pela borracha, vidro, papel, petróleo, minério. E o setor têxtil tem muita química”, diz Lucineide, ressaltando a importância “agregar devido às similaridades”. “Não podemos mais ficar pensando nas caixinhas”, acrescenta.

Nesta semana, a confederação dos químicos reúne pela primeira vez a nova diretoria para discutir essa e outras questões. A previsão é de realizar uma plenária dentro de dois anos para aprovar a unificação econômica e jurídica. “O primeiro passo, político, nós já demos. Vejo esse processo muito presente no mundo sindical. As empresas fazem isso, o capital faz isso. Acho que o nosso papel é se reinventar.”