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Bancários avançam em debate sobre efeitos da tecnologia no emprego

Aditivo em cláusula prevê discussão realocação e requalificação de trabalhadores
Publicado por Redação RBA
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Bancários: de janeiro de 2012 a abril deste ano, o setor financeiro fechou 44.830 vagas

São Paulo – Negociação concluída hoje (24) resultou em aditivo à convenção coletiva dos bancários, que é nacional, permitindo realocação de trabalhadores atingidos pelo avanço tecnológico. “É uma vitória para a categoria, à medida que vamos acompanhar como realocar e requalificar esses bancários”, comentou a presidenta do sindicato da categoria em São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva.

Segundo ela, de janeiro de 2012 a abril deste ano, o setor financeiro fechou 44.830 vagas, o equivalente a uma redução de quase 10% da categoria. “E não vemos uma geração de emprego em outras áreas como tecnologia, por exemplo, que possa compensar a redução”, acrescentou. “Não somos contrários à tecnologia, mas ela não pode ficar a serviço apenas dos banqueiros, que investem para aumentar seus lucros. É preciso melhores condições de trabalho para a categoria e melhor serviço para a população.”

A mudança na cláusula 62 da convenção foi aprovada durante negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Segundo os sindicalistas, os detalhes serão discutidos por empresa, mas o avanço só foi possível porque em 2016 a categoria fechou acordo com duração de dois anos, já garantindo aumento real agora. Assim, foi possível aprofundar outros temas. No ano passado, foi criado um grupo de trabalho para discutir especificamente realocação e requalificação de trabalhadores afetados por transformações tecnológicas.

Os bancários informam que apenas no primeiro semestre deste ano foram eliminadas quase 11 mil vagas. “A digitalização das transações bancárias e de diversas etapas do trabalho avança a cada ano, sendo que hoje 57% das transações financeiras são realizadas na internet ou no celular e apenas 8% nas agências físicas. Há oito anos a internet respondia por 30% das transações, o celular nem sequer fazia transações bancarias e a agência física era responsável por 18%”, diz o sindicato de São Paulo.