Reforma trabalhista

‘Movimento sindical precisa acordar. Vamos preparar nosso time para a guerra’

Presidente da CTB afirma que governo não tem credibilidade 'ética, moral e política' para propor uma medida provisória e que é preciso reorganizar os trabalhadores

Portal CTB
Adilson Araujo CTB

“Vamos ter uma legislação desregulada, sem fiscalização e sem direito sequer de recorrer à Justiça”, afirma Adilson

São Paulo – No dia seguinte ao da aprovação da “reforma” trabalhista, o presidente da CTB, Adilson Araújo, disse que o movimento sindical precisa “acordar” e reorganizar os trabalhadores para resistir. Ele descarta um acordo via medida provisória, como parte das centrais tem discutido com o governo.

“Nós não confiamos nesse governo. Não tem credibilidade ética, moral, nem política. Isso é um engodo. Só aqueles defensores do sindicalismo de colaboração de classes se rende a esse tipo de negociata espúria”, afirmou Adilson. “Vamos à resistência. Vamos preparar nosso time para a guerra”, acrescentou, lembrando que a CTB realizará o seu quarto congresso nacional de 24 a 26 de agosto, em Salvador.

Para o dirigente, o projeto aprovado ontem (11) pelo Senado “consagra a desregulamentação do trabalho, mas sugere também o extermínio dos sindicatos”. “Não falo isso decorrente da contribuição sindical, mas sob todos os aspectos”, acrescenta.

A reforma, avalia, ratifica as pretensões neoliberais, como nos anos 1990. Ele cita como exemplo o tratamento dado pelo governo Fernando Henrique Cardoso à greve dos petroleiros, em 1995.

“Vamos ter uma legislação desregulada, sem fiscalização e sem direito sequer de recorrer à Justiça”, afirma Adilson, para quem é preciso “dialogar mais e melhor” com os trabalhadores. “Enfrentamos uma tempestade longa, com um tsunami de grande impacto. Temos de reunir o nosso exército.”