Esquenta

Metalúrgicos do ABC: ‘Repetir greve geral de 28 de abril é primeiro desafio’

Em assembleia na Ford, dirigentes do sindicato destacaram a necessidade de união entre os trabalhadores para barrar as reformas do governo Temer

Adonis Guerra/SMABC
Wagnão

Entre os metalúrgicos, reformas de Temer são chamadas de “deformas”, diz Wagnão

São Paulo – O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Wagner Santana, o Wagnão, afirmou que o seu primeiro desafio junto aos trabalhadores é organizar a greve geral convocada pelas centrais sindicais para o próximo dia 30, contra as reformas trabalhista e da Previdência e pela saída do presidente Michel Temer (PMDB), com a convocação de eleições diretas já. Wagnão tomou posse no domingo (18),

Contamos com a participação de cada um no dia 30, nesta greve que realizaremos no país como um todo. Repetir o dia 28 é o primeiro desafio”, afirmou Wagnão, nesta terça-feira (20), em assembleia realizada na Ford, em São Bernardo do Campo, referindo-se à greve geral que teve participação de milhões de trabalhadores do país, contra o governo Temer e as reformas trabalhista e da Previdência. As assembleias nas fábricas do ABC fazem parte do “esquenta” para a greve geral.

Segundo Wagnão, entre os metalúrgicos, as ditas reformas são chamadas de “deformas”, pois, segundo ele, representam o fim das aposentadorias e dos direitos trabalhistas, conquistados por lutas históricas dos trabalhadores. Ele também afirmou que a garantia dos empregos de qualidade é a principal bandeira para o seu mandato de três anos à frente do sindicato.

Rafael Marques, que deixou a presidência, afirmou que a atual crise guarda semelhança com outras já enfrentadas pela categoria nos anos 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, quando se discutiam pautas como reestruturação, terceirização e abertura indiscriminada dos setores econômicos do país aos importados.

O agravante, no atual momento, segundo Rafael, é que de lá pra cá a base industrial do país se enfraqueceu, por conta da internacionalização da cadeia produtiva automobilística e, mais recentemente, com o enfraquecimento da política de conteúdo local, por parte do governo e das montadoras. 

Segundo o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, é importante que os trabalhadores se perguntei a quem serve a crise generalizada instalada no país. “Quem que está sendo prejudicado? É só perguntar quais os direitos que eles estão atacando, com quem estão mexendo. Essas reformas formam o arcabouço de defesa da patronal. São eles os pais desse golpe”, afirmou. 

Ele também comparou com os momentos de crise na década de 1990. “Já vivemos situações piores. Em 1998, 1999. Revertemos isso, revertemos na luta. Nunca foi por osmose.” 

Dia 30, vamos dar outro recado, da nossa insatisfação com o que está acontecendo nesse país. Não podemos permitir que essas reformas venham a beneficiar aqueles que ganham muito, que já têm muito, e prejudique só a nós, trabalhadores”, ressaltou. 

 

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