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‘Dia que serve para uma vida’, afirma vice-presidenta da CUT sobre greve geral

Carmen Foro desmente boatos e informações falsas que circulam nas redes sociais. 'Greve não é para defender Lula. É para defender o trabalhador'
Publicado por Redação RBA
18:10
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Marcos Corrêa/PR
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Greve geral rechaça as reformas trabalhista e da Previdência, propostas pelo governo Temer

São Paulo – “Este é um dia que serve para uma vida. Precisamos desobedecer, essa é a nossa missão. Não podemos seguir ordens de governos em conluio com Michel Temer (PMDB) para retirar direitos dos trabalhadores e manter lucros de banqueiros”, afirmou a vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, em resposta a chefes do Executivo que tentam influenciar um boicote à greve geral de amanhã (28). O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), afirmaram que vão cortar o ponto de funcionários que aderirem ao movimento.

Carmen respondeu a perguntas de internautas hoje, via redes sociais. “É importante dizer que a greve sempre foi algo importante para os trabalhadores quando eles estão insatisfeitos com a política ou quando estão com seus direitos ameaçados. São muitos motivos para uma greve geral. Essa política privilegia banqueiros e empresários, que se juntam para retirar retirar direitos dos trabalhadores. A lógica do capital-trabalho onde um explora e outro é explorado. Não podemos permitir”, afirmou.

A greve geral convocada por diferentes organizações populares rechaça as reformas trabalhista e da Previdência propostas pelo governo Temer. Carmen lembra que a mobilização é contra a retirada de direitos, e alerta sobre a existência de boatos em redes sociais afirmando que seria um “ato em apoio ao Lula”. “A greve geral não é para defender o Lula. É para defender a classe trabalhadora”, desmente. “Temos que cruzar os braços e também procurar pessoas para dialogar. A greve geral é em defesa do nosso país”, completa.

A reforma trabalhista, aprovada ontem na Câmara dos Deputados, “revoga a CLT”, de acordo com Carmen. “Estamos falando em aumento da jornada de trabalho (…) 12 horas diárias. Estamos voltando para a escravidão. Ela também versa sobre os contratos de trabalho, que serão precarizados. A ideia é de que quanto mais o trabalhador fica só, melhor para o patrão oprimir. Eles desmontam contratos coletivos, querem acabar com a possibilidade de ter um sindicato entre relações de trabalho. Essa reforma é grave. Diminuem o descanso e aumentam a jornada de trabalho”, explicou.

Já a reforma da Previdência, que tramita no Parlamento, “inviabiliza a aposentadoria”. “Quem tem 16 anos tem que começar a trabalhar hoje e nunca faltar para poder se aposentar com 65 anos. Quem tem 20 ou 25 anos pode contar que sua aposentadoria será aos 80 anos”, afirmou.

Ao contrário do que diz o governo, “a reforma pega todas as pessoas, inclusive os já aposentados”, afirma Carmen

Para a sindicalista, o governo Temer caminha para uma alteração completa na função do Estado. “Estão congelando investimentos, acabando com direitos (…) promovendo um corte geral igual em uma sociedade desigual (…) Estamos perdendo direito de nos manifestar. Apanhamos sempre das polícias, disse. “Agora, nos envergonha saber que indígenas chegaram aqui para o 14º Acampamento e apanharam da polícia. Esses povos que são a história do país e lutam há mais de 500 anos, neste momento o governo oferta terras deles para estrangeiros e não regulamos as terras indígenas. E ainda assim vão reivindicar e são espancados pela polícia orientada pelo governo Temer”, argumentou.

Diante do cenário apresentado, Carmen reafirma a importância da organização de trabalhadores na sociedade. “Estamos fazendo esse movimento de articulação com vários segmentos importantes. Há um envolvimento muito grande de organizações que não são apenas sindicatos. Para aqueles que acham que a greve geral é apenas de sindicalistas, estão enganados. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os evangélicos, vários padres e bispos estão panfletando. As confederações estão totalmente envolvidas, várias entidades participam do processo”, disse.