Você está aqui: Página Inicial / Trabalho / 2017 / 02 / Apesar dos lucros, emissoras de rádio e TV negam reajuste a jornalistas

caixa-preta

Apesar dos lucros, emissoras de rádio e TV negam reajuste a jornalistas

Sindicato reclama da falta de transparência no balanço das empresas e refuta argumento de suposta crise para protelar negociação
por Redação RBA publicado 01/02/2017 11h41, última modificação 01/02/2017 12h18
Sindicato reclama da falta de transparência no balanço das empresas e refuta argumento de suposta crise para protelar negociação
Divulgação/SJSP
Globo

Em dezembro passado, manifestação dos jornalistas por melhores salários chegou às portas da Rede Globo

São Paulo – O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo tem nova reunião amanhã (2) com representantes das empresas comerciais de comunicação – Rede Globo, SBT, Record, Grupo Bandeirantes, entre outras – para buscar pôr fim a negociação que se arrasta desde 2015. A categoria está há dois anos sem reajuste salarial. Os jornalistas acusam os patrões de protelar as negociações e judicializar a questão. 

"A posição deles é de bastante prepotência. Simplesmente dizem que, internamente, acham que diante da situação econômica do pais, da recessão, não teriam condições. O que eles querem é cortar o reajuste da inflação", afirma o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Paulo Zocchi, em entrevista nos estúdios do Seu Jornal, da TVT

A TVT foi a primeira emissora que, mesmo sem a conclusão das negociações, antecipou parte dos reajustes, em junho do ano passado. 

Os trabalhadores reivindicam reajuste de 19,17%, considerando a inflação acumulada para o período, desde 1º dezembro (data-base de categoria) de 2015. A proposta oferecida pelos patrões é de 12,89%, o que acarretaria perda de mais de 6% no valor real dos salários. Decisão da Justiça determinou a imediata reposição de 10,94%, mas os patrões recorreram. 

"O nosso sindicato, da CUT, evidentemente defende a mobilização e organização dos trabalhadores, e a negociação direta com as empresas. A categoria foi levada a dissídio judicial por uma intransigência completa das empresas, por uma posição de força", explica Zocchi. 

O presidente do sindicato contesta o argumento de fragilidade econômica das empresas, e reclama da falta de dados claros sobre o rendimento dos grupos jornalísticos nos últimos anos. "Os números, em geral, são uma caixa-preta."

Como comparação, Zocchi utiliza os números divulgados pela Globo, que por ter capital aberto é obrigada a divulgar balanço. Em 2014, as organizações dos irmãos Marinho registraram lucro líquido de R$ 2,4 bilhões. No ano seguinte, subiu para mais de R$ 3 bilhões, contrariando a ideia de crise econômica no setor.