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Em tempos de crise, Natal é esperança de renda para camelôs e desempregados em SP

Com a crise e o desemprego elevado, calçadas da maior cidade do país estão repletas de trabalhadores informais vendendo aos passantes os mais diversos produtos
por Redação RBA publicado 20/12/2016 12h58, última modificação 26/12/2016 15h33
Com a crise e o desemprego elevado, calçadas da maior cidade do país estão repletas de trabalhadores informais vendendo aos passantes os mais diversos produtos
Rubens Cavallari / Folhapress
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Camelôs estão com receio que o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, proíba o comércio nas ruas

São Paulo – Há três anos, sempre que o Natal se aproxima, Carlos Alberto sai de Castanhal, no interior do Pará, e viaja para a capital paulista. O objetivo dele é vender brinquedos de madeira nas ruas paulistanas, que ele mesmo monta. "Como sou deficiente, sempre estou em terceiro lugar nas vagas das empresas, então procurei uma forma de ter uma renda sem depender de ninguém."

Segundo ele, a época favorece atividades como a sua, em São Paulo. "Na época do Natal o comércio acelera, as coisas melhoram. Em um dia bom dá para ganhar uns 800 reais."

Com a crise e o desemprego elevado, de ponta a ponta da Avenida Paulista, principal cartão postal da maior cidade do país, as calçadas estão repletas de artesãos e camelôs vendendo aos passantes os mais diversos produtos. Mesmo fenômeno é observado pelas ruas do chamado Centro Velho e também nas proximidades de grandes terminais de ônibus e metrô nos bairros periféricos.

Com um banquinho e as linhas de crochê no colo, dona Maria Iraci Santos conta que conseguiu pagar a faculdade da filha com a venda dos seus artesanatos. "Meu marido tinha um comércio e eu ajudava, mas ele ficou doente e não pode mais trabalhar. Eu precisava pagar o estudo da minha filha, então peguei a agulha e comecei a vender crochê na rua."

Segundo o IBGE, o Brasil tem 12 milhões de desempregados, e o trabalho informal se tornou uma via para as pessoas com baixa escolaridade, diz Maria. "Pra mim está ruim, não tá vendendo muito, mas se eu vender 100 reais por dia já é 3 mil reais por mês. Eu que não tenho muito estudo vou fazer o quê? Só se eu limpar chão, ia ganhar um salário mínimo e ficar só com uns 600 reais (líquidos), não dá pra sobreviver com isso."

Maria também diz que está com receio de que o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, proíba o comércio nas ruas a partir de janeiro. O tucano já deu diversas declarações de que, na sua gestão, não haverá mais camelôs nas ruas, mas que pretende criar "shoppings do povo" – a ideia é confinar os ambulantes em espaços delimitados.

"Durante a gestão do Kassab (DEM, 2006-2008 e 2008-2012) eu fiquei quatro anos sem trabalhar. Com esse prefeito a gente está com medo sim, muitos estão até indo para outros estados. Ele tinha que deixar essas pessoas trabalharem."

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