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Na ONU

Reeleição de diretor da OIT ganha 'transcedência' em momento de crise

O inglês Guy Ryder terá novo mandato de cinco anos a partir de outubro de ano que vem. Representantes da CSI, da qual ele se originou, e da CUT destacam importância de sua permanência
por Redação RBA publicado 07/11/2016 16h02
O inglês Guy Ryder terá novo mandato de cinco anos a partir de outubro de ano que vem. Representantes da CSI, da qual ele se originou, e da CUT destacam importância de sua permanência
CUT
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Candidato único e apoiado pelas centrais sindicais brasileiras, Guy Rider recebeu 54 dos 56 votos do conselho

São Paulo – O inglês Guy Ryder foi reeleito hoje (7) diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Candidato único e apoiado pelas centrais sindicais brasileiras, ele recebeu 54 dos 56 votos do Conselho de Administração, que é triparte: 28 votos da bancada dos governos, 14 dos trabalhadores e 14 dos empresários. Sindicalistas brasileiros destacam a importância da reeleição do britânico de Liverpool, de 60 anos, com origem sindical, em um momento de crise. O segundo mandato, de cinco anos, começará em outubro de 2017.

"Este segundo mandato começa quando o mundo do trabalho vive uma transformação sem precedentes", afirmou Ryder. "Para administrar essa mudança, temos uma vantagem: nossa estrutura tripartite desempenhará um papel fundamental para configurar o futuro do trabalho e reafirmar que a justiça social deve nortear a elaboração das políticas internacionais", acrescentou. "A negação da justiça social em uma escala profundamente inquietante constitui uma ameaça real para a estabilidade de nossas sociedades e para a paz." O diretor-geral exortou os membros da entidade a fazer com que, por meio do trabalho decente, a OIT lidere a execução da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

"Se a eleição de Guy Ryder, que foi o primeiro secretário­-geral da CSI, já havia tido um significado histórico, sua reeleição ganha ainda maior transcendência neste momento em que o grande capital quer jogar todo o peso da sua própria crise sobre os ombros da classe trabalhadora", afirmou o atual presidente da Confederação Sindical Internacional, o brasileiro João Felício, ex-presidente da CUT, que acompanhou a votação em Genebra. Por se tratar de uma entidade vinculada à ONU, lembrou o dirigente, a reeleição "pode incidir positivamente sob todos os demais organismos, contribuindo e abrindo espaço  para o movimento sindical exercer pressão democraticamente".

O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, ressalta a importância da eleição de Gyder e do tripartismo da OIT, que pode fortalecer canais de diálogo e resistir a imposições do sistema financeiro e de multinacionais. "Pode valorizar as  convenções que procuram garantir direitos, como o de greve – que vem sendo ameaçado em países vítimas de golpes, como o Brasil –, pode atuar como agente de proteção de direitos, ao fazer pressão em defesa da garantia de postos de trabalho, e pode contribuir para potencializar o  desenvolvimento, definindo um rumo para o crescimento  econômico com valorização do trabalho."

"Desde sua eleição, Guy Ryder fortaleceu o papel da OIT no G20, no Brics e no G7, de países vulneráveis e atingidos por conflitos. Além disso, a OIT desenvolveu novas iniciativas com o Banco Mundial e pôs seu Programa de Trabalho Decente no centro da Agenda 2030", diz a organização.

Com informações da OIT Notícias e da CUT