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Campanha salarial

Bancários entregam pauta e enfatizam defesa de direitos sociais

Trabalhadores querem 14,78% de reajuste, incluindo aumento real. Categoria também diz que não aceitará retrocessos na economia e na política
por Redação RBA publicado 09/08/2016 16h53, última modificação 10/08/2016 11h22
Trabalhadores querem 14,78% de reajuste, incluindo aumento real. Categoria também diz que não aceitará retrocessos na economia e na política
Mauricio Morais/Seeb-SP
Bancários

Bancários fizeram manifestação de lançamento de campanha no centro de São Paulo

São Paulo – A pauta de reivindicações da campanha nacional dos bancários foi entregue hoje (9), em São Paulo, pelo Comando Nacional da categoria à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Entre os itens, está reajuste salarial de 14,78%, índice que contempla a inflação prevista para os 12 meses até a véspera da data-base (1º de setembro) mais 5% de aumento real. A campanha acontece em um cenário político conturbado, e os representantes dos bancários avaliam que as negociações serão mais difíceis.

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Murilo Portugal (Fenaban, à dir.) recebe pauta de Juvandia (2ª à dir.) e Betão: setor lucra, mas demite

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, lembrou que mesmo em um momento de crise econômica o setor financeiro segue aumentando seus ganhos. "A consultoria Economatica avaliou 25 setores que envolvem 300 empresas de capital aberto e, desses, o setor bancário foi o mais lucrativo no primeiro trimestre do ano: 21 bancos alcançaram R$ 14,3 bilhões de lucro", afirmou Juvandia, que também integra o Comando Nacional.

Apesar disso, o setor corta mão de obra. No primeiro semestre, foram fechados 6.785 postos de trabalho (3.715 em São Paulo), segundo o Dieese, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. A rotatividade também beneficia os bancos: os admitidos no período ganham, em média, 55,9% do que ganham os demitidos. Por isso, a defesa do emprego é uma das prioridades da campanha deste ano.

Além do reajuste, os bancários também reivindicam participação nos lucros ou resultados (PLR) equivalente a três salários mais R$ 8.317,90, piso de R$ 3.940,24 (equivalente ao salário mínimo calculado pelo Dieese em junho), vale-refeição de R$ 40, vale-alimentação de R$ 880 (com um 13º) e 14º salário, entre outros itens.

"A gente tem outra grande preocupação nessa conjuntura que é a tentativa de flexibilização das leis trabalhistas, da investida contra os direitos da grande maioria da população e dos trabalhadores em especial, seja na Previdência, seja na terceirização", lembrou Juvandia. "Isso também está na agenda da nossa campanha e não poderia ficar de fora porque não adiantaria fazer uma campanha salarial boa, se perdermos todos os avanços com a terceirização e a flexibilização da CLT."

"Vamos também defender nossos direitos, a democracia e lutar contra a terceirização e qualquer tipo de retirada de direitos. Não aceitaremos nenhum direito a menos", diz o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto von der Osten, o Betão, também um dos coordenadores do comando.

Depois da entrega da pauta, os bancários fizeram manifestação pelo centro de São Paulo. A campanha envolve aproximadamente 500 mil trabalhadores.