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Sem reajuste, professores da rede estadual de São Paulo entram em estado de greve

Nova assembleia será realizada no próximo dia 29, na Avenida Paulista, quando os docentes voltarão a avaliar se paralisam as atividades

Peter Leone/Futura Press/Folhapress
Assembleia

Professores da rede estadual paulista aprovam indicativo de greve em assembleia

São Paulo – Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram entrar em estado de greve a partir de hoje (8), em assembleia realizada à tarde na Praça Roosevelt, no centro da capital. O encontro reuniu 5 mil docentes de pelo menos 18 municípios.

Durante o estado de greve, os professores cumprirão um calendário de mobilização que inclui atividades preparatórias, em todas as escolas, para uma futura paralisação. Uma nova assembleia será realizada no próximo dia 29, na Avenida Paulista, para decidir pelo início da paralisação.

Como parte do calendário, na próxima sexta-feira (15), os professores vão organizar debates sobre a democracia e sobre a crise política nas escolas. No dia 27, participarão de audiência pública na Assembleia Legislativa para exigir a instalação de uma CPI para investigar os desvios na merenda escolar pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Para a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, a decisão de esperar o dia 29 para votar definitivamente sobre a greve é estratégica: o bônus por resultados satisfatórios nas escolas serão pagos aos professores com direito até o dia 15. “O bônus deste ano será menor do que o do ano passado”, diz.

“Dia 29 faremos uma assembleia para exigir reajuste para todos, isonomia salarial. E ainda fazer pressão em relação à conjuntura para que possamos, sim, fazer frente à tentativa de golpe”, continuou. No ano passado, os professores da rede estadual realizaram uma greve que durou 92 dias, entre março e junho, a maior da história da categoria.

Os professores reivindicam reajuste salarial de 16,6%, referente à reposição da inflação desde junho do 2014, quando os docentes deixaram de receber o percentual referente a perdas inflacionárias. Além disso, exigem a abertura de uma mesa de negociações permanente para reivindicar um ganho real de 75,33% a ser pago nos próximos anos, até os salários dos professores paulistas serem equivalentes aos de outras profissões com o mesmo nível de formação.

“A situação está muito grave. Os professores estão sendo atacados pelo governo. A lógica dos bônus sem incorporação não nos favorece. Precisamos nos unir em uma mobilização consistente”, afirmou a professora de sociologia Lorena de Oliveira, que veio de Mauá para participar da assembleia.

O professor de Geografia Ricardo Alves, de Ubatuba, litoral norte, concordou. “Dos três anos que estou na rede estadual este, sem dúvida, é o pior. Dou aula em escolas que não têm nem papel higiênico. Os alunos não aguentam mais esse modelo de educação sem dinamismo, no qual eles só reproduzem.”

Houve confusão envolvendo professores e estudantes secundaristas, que queriam se manifestar na assembleia. Uma estudante de Campinas acabou falando rapidamente depois da votação. “Para os professores o resultado da assembleia foi satisfatório. A luta só vai dar certo se for conjunta”, disse Bebel. Antes de a presidenta da Apeoesp iniciar sua fala, os estudantes disseram que continuam em luta por escolas públicas de qualidade. “Nossos professores estão sendo humilhados com condições precárias de trabalho e um salário miserável. Precisamos unificar nossas lutas”, disseram.


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