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Ato unificado da CUT na Paulista representa 1,8 milhão de trabalhadores

Manifestação desta terça-feira (15) reúne metalúrgicos, bancários, químicos e comerciários, entre outras categorias, com data-base no 2º semestre; ato defende democracia, emprego e salário

Roberto Parizotti
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Freitas: Setores que não respeitam o resultado das urnas querem aprofundar clima que facilite a retirada de direitos

São Paulo – Será realizado amanhã (15), às 10h na avenida Paulista, em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o primeiro ato unificado da campanha salarial 2015, organizado pela CUT.

A manifestação vai reunir metalúrgicos, bancários, químicos e comerciários, entre outras categorias, representando cerca de 1,8 milhão de trabalhadores. O ato tem como tema a defesa da democracia, do emprego e do salário.

Hoje, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, reafirmou a posição da central em defender a manutenção do mandato da presidenta Dilma diante da ameaça do Congresso de aprovar o processo de impeachment.

Segundo Freitas, um rompimento criaria espaço para que as forças conservadores atacassem com muito mais força os direitos trabalhistas, as políticas públicas de distribuição de renda criadas ao longo dos últimos 12 anos, o emprego e a renda.

“A tentativa de golpe contra a presidenta da República não é motivada pelo combate à corrupção ou outras razões. Os setores que não respeitam o resultado das urnas querem na verdade aprofundar um clima que facilite a retirada de direitos, o achatamento dos salários, criação da idade mínima para aposentadoria, terceirização sem limites, enfim, basta observar as propostas que estão sendo defendidas no Congresso e por setores da mídia”, disse Vagner.

“Ou você acredita que quem quer entrar no lugar da presidenta vai continuar se preocupando em manter programas sociais importantes criados pelo governo Lula e Dilma”, questiona o presidente da CUT.

Além do ato em São Paulo, os dirigentes da CUT estão programando manifestações das categorias com data-base no segundo semestre em outras cidades do Brasil. Os trabalhadores querem deixar claro que não vão pagar a conta da crise econômica; e não vão permitir ataques aos direitos dos trabalhadores, como a terceirização em todas as atividades das empresas, como prevê o projeto que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está tramitando no Senado.

Durante o ato de amanhã, os dirigentes da CUT-SP, eleitos no mês passado para o mandato 2015-2019, vão tomar posse em plena Avenida Paulista. Segundo o presidente eleito, Douglas Izzo, a posse na rua é simbólica porque mostra à população que a CUT é das ruas, sempre esteve e sempre continuará nas ruas.

Também participarão do ato outras categorias que, apesar da data-base ser no primeiro semestre, ainda não concluíram as negociações com os patrões, como é o caso do setor público. Na capital paulista, os servidores municipais e de autarquias ainda lutam pelo atendimento da pauta de reivindicações de 2014.

Cada categoria tem sua própria pauta de reivindicação. O que as unifica é a defesa da democracia e a busca por saídas econômicas que não prejudiquem ainda mais os trabalhadores e que revertam as perspectivas de fechamento de vagas de trabalho.

Um dos principais objetivos da Campanha Salarial Unificada é fortalecer a defesa dos empregos. E, portanto, defender a Petrobras, que vem sofrendo seguidos ataques dos setores conservadores. A rede de fornecedores do setor petroleiro é formada por cerca de 70 mil empresas, que têm sido prejudicadas pelo modo como as investigações da Operação Lava Jato vem sendo conduzidas e o resultado são centenas de trabalhadores desempregados. Até agora mais de 40 mil trabalhadores já foram demitidos, entre eles, 11,5 mil só das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

A CUT defende uma investigação profunda, transparente e democrática, sem prejuízo ao processo de desenvolvimento econômico e social iniciado em 2003 pelos governos do PT, longe dos holofotes da mídia que transforma tudo em espetáculo, desde que as suspeitas atinjam os ‘inimigos’ de sempre: o PT e os movimentos social e sindical.

Máquinas e eletrônicos oferece 7%

Em rodada de negociação da campanha salarial, realizada hoje na sede da Abimaq, a bancada patronal do Grupo 2 (máquinas e eletrônicos) ofereceu reajuste salarial de 7% para a FEM-CUT-SP. A data-base do ramo metalúrgico cutista é 1º de setembro e dos 200 mil trabalhadores em campanha na base da FEM no estado de São Paulo, cerca de 41% trabalham nas empresas do G2.

Para o presidente da FEM-CUT-SP, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, a proposta está bem longe do que espera a categoria metalúrgica. “Não contempla nem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do período da nossa data-base, que fechou em 9,88%. Nossa reivindicação é a reposição integral do INPC e mais aumento real, que negociaremos”, frisou.

Luizão reforça que a FEM seguirá a estratégia de anos anteriores, sem criar nenhum número de fantasia, e lutará por um reajuste que não só recomponha os salários, mas que traga aumento real, valorizando desta forma o poder de compra dos trabalhadores.