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Bancos fogem de compromisso com manutenção dos empregos

Na primeira rodada de negociações entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban, representantes das instituições financeiras afirmam que “demitem pouco” e não aceitam discutir tema
por Redação RBA publicado 19/08/2015 20h30, última modificação 19/08/2015 20h39
Na primeira rodada de negociações entre Comando Nacional dos Bancários e Fenaban, representantes das instituições financeiras afirmam que “demitem pouco” e não aceitam discutir tema
Mauricio Morais/Sind Bancários SP
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Bancários criticam contraste entre crescimentos de lucros do setor e corte de postos de trabalho

São Paulo – A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não pretende negociar garantia do nível de emprego no ramo financeiro. A informação é do Comando Nacional dos Bancários, que realizou hoje (19) a primeira rodada de negociações da campanha da categoria. A data-base é 1º de setembro.

“A negociação hoje tratou de um tema essencial para os trabalhadores, mas o sistema financeiro não tem interesse em negociar emprego. Os bancos alegam que demitem pouco, mas defendem os correspondentes bancários, que retiram o emprego da categoria e o transfere para outros locais em condições mais precárias”, disse o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto von der Osten, um dos coordenadores do comando. Segundo ele, os bancos abusam da práticas da terceirização indevida e da rotatividade.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, também da coordenação do comando, afirma que os bancos deveriam se portar com mais “responsabilidade social”, diante de um cenário de melhora de seus resultados em meio a um ambiente em que o nível de emprego se torna uma “preocupação geral” no país.

“Enquanto governo acaba de anunciar linhas de créditos mais baratas para empresas que não demitam, os bancos se recusam a firmar compromisso como o emprego dos trabalhadores mesmo diante de um crescimento médio de 20% em seus lucros no primeiro semestre”, disse. “Cobramos maior responsabilidade social do setor, para contribuir com a geração de empregos do país e eles podem fazer isso contratando mais e oferecendo taxas de juros menores para o setor produtivo.”

O lucro líquido dos cinco maiores bancos atuantes no Brasil (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander), nos três primeiros meses do ano, atingiu a marca de R$ 16,3 bilhões, com crescimento de 21,8% em relação ao igual período do ano passado. As receitas com prestação de serviços e tarifas cresceram 12%, atingindo R$ 27 bilhões.

De janeiro a junho, os balanços já divulgados (Itaú, Bradesco, Santander e BB) somaram R$ 29,8 bilhões, crescimento de 20% em relação a igual período do ano passado. Para os empregos, no entanto, o desempenho é descendente: 5.004 postos a menos em 2014 e 2.795 no primeiro semestre de 2015.

A próxima rodada de negociações está marcada para 2 de setembro. A categoria reivindica reposição da inflação anual (estimada em 9%), aumento real (acima da inflação) de 5,7%, melhores condições de trabalho e fim das metas individuais e consideradas abusivas. São aproximadamente 500 mil bancários atendidos por uma convenção coletiva de trabalho com validade nacional.

Com informações da Contraf-CUT e do Sindicato dos Bancários de São Paulo