greve dos petroleiros

FUP: plano de cortes na Petrobras joga por terra avanços conquistados com Lula

Coordenador da federação defende continuidade dos investimentos na empresa estatal para que seja mantido seu papel como indutor do desenvolvimento do país

Divulgação FUP
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Movimento de 24 horas defende investimentos para que empresa continue a ter papel protagonista no país

São Paulo – O Plano de Gestão e Negócios (2015/2019) de Petrobras “joga no lixo tudo o que foi construído ao longo dos últimos 12 anos”, afirma o coordenador da Federação Única dos Trabalhadores (FUP), José Maria Rangel, referindo-se aos avanços conquistados a partir do governo Lula. Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o sindicalista critica a proposta da empresa estatal que prevê cortes de US$ 89 bilhões em investimentos e despesas, bem como a venda de ativos de patrimônio da companhia, na ordem de US$ 57 milhões.

“Se nós entendermos que a Petrobras tem de continuar a ser o ator principal do desenvolvimento do nosso país, que chegou em 2013 a responder por 13% do PIB nacional, que tem desenvolvido ao longo de sua história tecnologias reconhecidas para a exploração de petróleo, e é uma empresa que consegue hoje de maneira integrada ir do poço ao poste, a gente vai combater esse plano de negócios que está ai”, afirmou.

Desde a zero hora de hoje (24), os funcionários da empresa realizam greve de 24 horas para convocar governo, direção da empresa e sociedade a discutir a questão da soberania do país em relação ao petróleo. “Não tem cabimento a Petrobras apresentar para a sociedade brasileira um plano que visa a todo esse encolhimento da companhia”, disse. “Nós queremos que a Petrobras conclua as obras que estão quase prontas”, afirmou, referindo-se à refinaria Abreu e Lima, Conperj e à fábrica de fertilizantes do Mato Grosso.

“Queremos que a empresa volte a construir navios e plataformas aqui no nosso país – a nossa indústria naval, que estava sucateada, ganhou toda uma importância no cenário mundial e hoje nós somos o quarto país que mais produz navios e plataformas no mundo. Então, não dá simplesmente para pegarmos um plano de negócios desses e achar que está tudo bem. Estamos chamando a atenção da categoria e da sociedade para combater esse plano”, disse Rangel.

A greve de 24 horas é também contra o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, de autoria de José Serrá (PSDB-SP) que prevê retirar a Petrobras da participação de 30% na exploração do pré-sal. “Esse projeto, na realidade, abre as portas do pré-sal brasileiro para as multinacionais. Então, todo o cuidado que o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma tiveram na elaboração da Lei da Partilha para que ela pudesse ser um instrumento de desenvolvimento do nosso país e tudo isso vai por água abaixo se esse projeto for aprovado”, afirmou Rangel.

Segundo a FUP, no estado de São Paulo, todas as unidades operacionais como as refinarias Replan e Recap, assim como terminais da Transpetro em Barueri, Recap, São Caetano, Guararema, Guarulhos e Usinas Termoelétricas estão paralisadas. Nestas unidades houve corte de rendição. Nas áreas administrativas, a greve também teve adesão de trabalhadores próprios e terceirizados.

Nas bases de Terra do Norte Fluminense, a paralisação começou no Terminal de Cabiúnas, às 23h30, quando os trabalhadores entregaram a produção da unidade. O acesso à carga de gás do terminal também está bloqueado. As plataformas da Bacia de Campos aderiram à greve e, até o momento, quatorze plataformas entregaram a operação das suas unidades

Em Duque de Caxias (RJ), nas unidades da Reduc, Terminal de Campos Elíseos (Tecam) e Usina Termoelétrica Governador Leonel Brizola, o corte de rendição começou às 23h de ontem (23). O Sindipetro Caxias montou um acampamento na frente destas unidades, onde estão sendo realizadas diversas mobilizações de conscientização sobre a importância da greve. Em solidariedade à paralisação dos petroleiros, também estão presentes no movimento integrantes de movimentos sociais, estudantis e de outras categorias. No site da FUP, é possível verificar todas as unidades da empresa que estão paralisadas.

Rangel destaca que o movimento não tem a ver com questões salariais. “O movimento de 24 horas é em defesa da Petrobras, em defesa do desenvolvimento do estado brasileiro, um movimento que vai na contramão de tudo o que a direção da Petrobras está colocando no comunicado que fez à sua força de trabalho. Eu tenho 30 anos de companhia e nunca vi um comunicado como esse de dois dias atrás, no qual ela diz que vai fazer de tudo para atender as expectativas do mercado. Ou seja, é o mercado que vai dizer o que o Estado tem de fazer?! Nós estamos vivendo uma situação em que o rabo é que está balançando o cachorro e não podemos aceitar isso passivamente. A Federação Única dos Petroleiros e várias categorias que têm relação direta com tudo o que estamos fazendo – professores, estudantes, a via campesina, metalúrgicos, construção civil – estão conosco nesse entendimento e não tenho dúvida que a cada dia vamos ganhar mais adeptos para reverter esse quadro que está instalado hoje.”

Ouça a entrevista de José Maria Rangel para a Rádio Brasil Atual: