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Pressão para cumprir metas aumenta distúrbios em bancários, diz médica da Fundacentro

Assédio moral e cobrança por metas abusivas podem levar a ansiedade, dificuldade para dormir até depressão e síndrome do pânico
por Redação RBA publicado 04/07/2015 10h32
Assédio moral e cobrança por metas abusivas podem levar a ansiedade, dificuldade para dormir até depressão e síndrome do pânico
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Na categoria é cada vez mais comum o uso de medicamentos controlados e casos de doenças psicossomáticas

São Paulo – A médica Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro, diz que a rotina dos trabalhadores bancários é propícia ao surgimento de doenças e que metas abusivas, pressão, cobrança e ambiente instável são responsáveis pelo cenário. “A categoria sofre com pressão violenta da chefia, muitas vezes com humilhação”, afirma, em entrevista para a Rádio Brasil Atual.

Os bancos apresentam crescimento cada vez mais expressivo, independente do cenário econômico, o que pode impactar negativamente o ambiente de trabalho: “Bancários enfrentam um momento de trabalho com intensificação do ritmo. Trabalham muito mais com menos gente, especialmente no setor de vendas”.

A pressão em cumprir as metas é um dos principais fatores que desencadeiam os distúrbios. “Caso o trabalhador não cumpra, pode sofrer discriminação, mais pressão ainda, assédio moral e até ficar na mira das demissões”, diz. Os distúrbios são de origem psicossomática: “Ansiedade e dificuldade para dormir, muitas vezes evoluem para quadros de depressão grave e síndrome do pânico”.

Os trabalhadores do Bradesco fazem campanha para proteger aquele que porventura seja afastado e retorna após este período. “Você pode imaginar como é delicada a situação do trabalhador que esteve, ou está doente, e deve retornar ao trabalho”, argumenta a médica.

“Quando a doença tem relação com o trabalho, é mais difícil ainda a adaptação. Imagina uma pessoa com transtorno depressivo retornando a um ambiente competitivo, sobre intensa pressão, tendo que vender e bater metas”, observa.

Ouça a entrevista