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Terceirização aumenta fatores de risco de acidentes na construção civil

por Redação RBA publicado 12/06/2015 12h33
Carlos Sodré/Agência Pará
Construção

7 dos 9 trabalhadores mortos nas obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014 eram terceirizados

São Paulo – A construção civil é o setor que lidera os acidentes e mortes no trabalho. A jornalista da Rádio Brasil Atual, Em sua coluna semanal na Rádio Brasil Atual, a especialista em saúde do trabalho, Maria Maeno, diz à jornalista Terlânia Bruno que a construção civil é o setor da economia que lidera os acidentes de trabalho, muitos deles fatais. Maeno afirma também que os trabalhadores da construção civil são os que mais sentem os impactos da utilização de mão de obra terceirizada.

"Se consideramos somente os empregados que são vinculados ao ramo econômico da construção civil, e o anuário estatístico do INSS até 2013, morrem em média 400 trabalhadores do setor a cada ano no Brasil. A participação do setor no total de acidentes fatais tem aumentado, de 2006 a 2013 passou de 10,1% para 17,5%", explica.

Maeno explica por que as empresas seguem o padrão de responsabilizar o trabalhador pelas condições em que ocorrem os acidentes, mas que as verdadeiras responsáveis são elas mesmo. "Muitas vezes, as regras de fato são desrespeitadas por imposição do ritmo de trabalho. A obra precisa acabar em um determinado prazo e a empresa estimula o trabalhador a não seguir as regras".

Ela ressalta que a terceirização é outro fator determinante. "Vale lembrar que 7 dos 9 trabalhadores mortos nas obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014 eram terceirizados. Portanto, há uma terceirização das atividades que envolvem maior risco, e também há uma maior tendência, uma individualização do risco, e um isolamento dos terceirizados, que têm a resistência organizada diminuída para enfrentar esses riscos."

Segundo a colunista, apenas o Ministério do Trabalho e Emprego e o Sistema Único de Saúde são os responsáveis pela fiscalização do setor e que enfrentam dificuldades para exercer as funções. "Os auditores estão em número reduzido, longe do que deveríamos ter, e não existe uma priorização daquelas atividades de maior risco. No SUS também existe uma deficiência para que se fiscalize as condições de trabalho, e temos milhares de canteiros de obras no país inteiro. Teria que haver uma sistematização e uma metodologia para que fossem prevenidos os acidentes e as doenças relacionadas ao trabalho."

Para Maeno, é a organização do fluxo de trabalho a grande responsável pelos acidentes e doenças na construção civil. "O ritmo das atividades, como o funcionário é obrigado a trabalhar. A terceirização faz com que os trabalhadores obedeçam a uma lógica que aumenta o ritmo de trabalho para dar conta do prazo estipulado. Esses fatores são determinantes para a ocorrência dos acidentes. “

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