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SindSaúde desmente reajuste aos servidores alardeado pelo governo Alckmin

Secretário David Uip afirma ter dado 35%, em média; sindicato diz que houve correção em valor de prêmio de incentivo, pago com recursos federais
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 28/05/2015 18h57, última modificação 28/05/2015 19h04
Secretário David Uip afirma ter dado 35%, em média; sindicato diz que houve correção em valor de prêmio de incentivo, pago com recursos federais
Douglas Mansur/Sindsaúde-SP
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Em campanha salarial, trabalhadores da saúde acusam governo paulista de mentir sobre aumentos

São Paulo – O Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo (SindSaúde) desmente o secretário David Uip, sobre reajuste salarial já concedido aos servidores. Na última segunda-feira, no programa Roda Viva, da TV Cultura, Uip voltou a afirmar que em 2014 reajustou os salários da categoria em 35%, em média, e que não há nenhum trabalhador do setor que ganhe menos do que a média de mercado.

De acordo com o presidente do SindSaúde, Gervásio Foganholi, não  houve correção salarial no último ano. “Houve reajuste diferenciado no prêmio de incentivo, que não atingiu todos os trabalhadores da saúde. Ficaram de fora os das autarquias. Além disso, o pagamento do prêmio de incentivo, que é uma gratificação paga com recursos federais, está vinculado a uma avaliação trimestral, podendo ou não ser pago.”

Foganholi ressaltou ainda que os trabalhadores da saúde estadual ganham abaixo da média de mercado. Enquanto o salário médio do auxiliar de enfermagem é R$ 2.113,10, no estado é de R$ 1.505,88, incluído aí 100% do prêmio de incentivo. Já um oficial administrativo, no mercado, tem salário de R$ 1.717,20 – que no estado é de R$ 1.518,00.

Na últimas terça e quarta-feira houve paralisação de advertência nos serviços estaduais, e à tarde os trabalhadores se reuniram em assembleia e decidiram repetir as 48 horas de paralisação no final de julho. Até lá, insistirão na negociação com o governo estadual.

Endurecimento

Ontem, uma comissão do sindicato foi recebida pelo coordenador de Recursos Humanos da Secretaria da Saúde, Haino Burmester, que não trouxe nenhuma proposta e reafirmou que terá uma resposta possivelmente no segundo semestre, quando o governo espera melhorar o caixa comprometido por queda na arrecadação.

De acordo com o dirigente, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem acuado todo o quadro de servidores estaduais e endurecido com as representações dos trabalhadores.  "Alckmin não cumpre promessas, desvaloriza os trabalhadores e faz pressão, deixando claro que não vai negociar se entrarem em greve. E no caso de greve, nega a existência do movimento e persegue os trabalhadores, corta o ponto, ameaça acabar com bônus. Sempre foi duro negociar com Alckmin, mas agora o governo escancara seu autoritarismo e intransigência. Com esse governo tem conversação, não negociação".

Para Foganholi, a o endurecimento de Alckmin reflete uma nova conjuntura marcada pela derrota de seu partido à Presidência da República e emergências de pautas conservadoras, na qual aumenta a pressão sobre os trabalhadores, movimentos sociais e sindicatos. "O governo não negocia, nega a greve, corta o ponto e manipula a opinião pública, jogando trabalhadores e sociedade contra os sindicatos e transferindo todas as mazelas para o conta dos sindicatos, da CUT e do PT", diz.

Reivindicações

Além do reajuste salarial de 7,84% – e o cumprimento da data-base –, os trabalhadores querem reajuste do vale-refeição, de R$ 8 para R$ 31, e que este seja concedido considerando 30 dias corridos, nas férias e também durante as licenças médicas, sem teto salarial; prêmio de incentivo, com valor reajustado de forma isonômica; e equiparação do valor de gratificações às pagas em outros setores do estado.

Em 2014, o governo concedeu reajuste de 7% no salário-base para a área administrativa, e prêmio de incentivo para a área técnica. No movimento de 2013, prometeu equiparar os salários dos servidores da saúde  com salários pagos no mercado por funções semelhantes. Mas concedeu reajuste apenas para parte da categoria. “Não houve equiparação com a média de mercado, como prometeu.”

A pauta ampla da campanha salarial ampla aspectos sociais, como a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o fim das Organizações Sociais na gestão da saúde pública, bem como das fundações e da terceirização; a realização de concursos públicos; e a concessão da licença-maternidade por 180 dias a todas as trabalhadoras da saúde pública vinculadas à Secretaria da Saúde, inclusive durante estágio probatório.