1º de maio

Sindicalistas acham que Dilma poderia ter ido à TV, mas apoiam fala

Para dirigentes, o mais importante é que a presidenta se pronunciou contra o projeto da terceirização. Mas eles lembram que há outros itens na pauta que serão cobrados do governo e do Congresso

danilo ramos

Adilson Araújo, da CTB: “É momento de combater uma agenda regressiva em andamento no Congresso”

São Paulo – A decisão da presidenta Dilma Rousseff de usar apenas as redes sociais, em vez da tradicional rede de televisão, foi motivo de polêmica de ontem para hoje, envolvendo governo, oposição e mesmo aliados. Dirigentes das centrais que se reuniram com Dilma em Brasília, na véspera do 1º de Maio, acreditam que ela poderia ter ido à TV, mas ressaltam que o mais importante foi seu posicionamento contrário ao Projeto de Lei 4.330, da terceirização. Eles afirmam que continuarão cobrando o atendimento de outras reivindicações, como a redução da jornada e o fim do fator previdenciário, tanto do Executivo como do Congresso.

“Ela disse claramente que é contra a terceirização na atividade-fim”, lembrou o presidente da CUT, Vagner Freitas. “Seria importante se ela tivesse ido à televisão. Mas o que importa mesmo para a gente não é se ele vai falar ou não vai falar, mas o que vai falar.”

“A presidenta falou categoricamente (que é contra o projeto como está)”, reforçou o presidente da CTB, Adilson Araújo. Segundo ele, é momento de combater uma “agenda regressiva” em andamento no Congresso e manter a mobilização por questões como reforma política, defesa da Petrobras e manutenção de direitos. “Apostar em uma pauta positiva é tudo o que nós queremos, e vamos cobrar do governo essa conta.”

Ele também criticou a direção da Força Sindical, que defende o projeto. “A tese da Força representa uma posição da cúpula, não da sua base”, observou. Já o presidente da CUT citou a propaganda da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) favorável ao PL, afirmando que o presidente da entidade, Paulo Skaf, faz um discurso “mentiroso”.

Em seu pronunciamento, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que Dilma “tem de olhar nos olhos e enfrentar com mais firmeza essa elite brasileira”. Ele também fez referência à importância de um pronunciamento na televisão, para atingir um público maior e falar das conquistas obtidas nos últimos anos. “Que batam panelas”, afirmou, referindo-se a protestos recentes contra pronunciamentos de representantes do governo.

A decisão de Dilma causou atritos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). “Acho que são diálogos, não acho que são rusgas”, comentou o deputado federal Paulo Teixeira. “São contornáveis.”

Representante de Dilma no ato, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, se pronunciou rapidamente. Para ele, a medida provisória que garante a manutenção da política de valorização do salário mínimo até 2019 é uma demonstração de que a presidenta “se coloca ao lado dos trabalhadores brasileiros”.

O prefeito da capital, Fernando Haddad, chegou a programar uma entrevista coletiva, mas acabou não indo ao evento do Anhangabaú. Ele foi representado pelo secretário de Relações Institucionais, o ex-ministro Alexandre Padilha. O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy, também esteve no local.

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