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Em meio a crise, funcionários da Petrobras elegem representante no conselho

Disputam o segundo turno candidatos apoiados, respectivamente, pela Federação Única dos Petroleiros e pela Associação dos Engenheiros da estatal

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Para candidatos, defesa da imagem é fundamental para estatal voltar a operar com indicativos melhores

São Paulo – Enquanto a Petrobras vive dias turbulentos, os funcionários começam amanhã (31) a escolher seu representante para o Conselho de Administração da estatal. Será a quarta eleição desde a Lei 12.353, de 2010, sobre participação de empregados em conselhos de empresas públicas e sociedades de economista mista. Disputam o segundo turno o técnico de segurança Deyvid Bacelar, coordenador do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) da Bahia, e o analista de sistemas Silvio Sinedino Pinheiro, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) e atual representante dos trabalhadores no CA da empresa. A eleição vai até 8 de fevereiro.

No primeiro turno, disputado este mês, Deyvid, que tem apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP), teve 2.300 votos, enquanto Silvio recebeu 1.333. No total, 11.103 trabalhadores participaram da eleição.

Ex-presidente da Aepet, Silvio foi também o primeiro representante dos funcionários a ser eleito para o Conselho de Administração, em 2012. No ano seguinte, quem venceu a disputa foi José Maria Ferreira Rangel, dirigente do Sindipetro do Norte Fluminense e atual coordenador da FUP. No ano passado, Silvio venceu Rangel por uma diferença apertada, de apenas 115 votos.

Deyvid é funcionário concursado – entrou na Petrobras em 2006. Baiano de Feira de Santana, trabalha na Refinaria Landulpho Alves, no município de Mataripe. Sinedino, do setor de E&P (exploração e produção), tem 26 anos de empresa e já declarou que pretende se aposentar caso não vença a disputa.

O conselho da Petrobras, principal instância de decisão da estatal, tem dez integrantes, sendo sete escolhidos pelo acionista controlador. Os outros três são escolhidos pelo acionistas portadores de ações preferenciais, pelos minoritários (ações ordinárias) e pelos empregados. A reunião mais recente ocorreu na última terça-feira (27), na véspera da divulgação das demonstrações contáveis, não revisadas, do terceiro trimestre de 2014. Depois de sete horas de reunião, não houve acordo sobre o tema.

Ontem (29), os candidatos participaram de um debate transmitido pela canal de comunicação interno da Petrobras. A disputa interna é intensa. Mas as forças em disputa concordam em pelo menos um ponto: a corrupção precisa ser investigada e combatida, mas as denúncias na Petrobras também são alimentadas por interesses privados e privatistas.

“O que vemos é a imprensa atacar não um punhado de corruptos e corruptores, mas a empresa, que é e sempre será um patrimônio da população. Os 85 mil trabalhadores querem resgatar a imagem pelo trabalho duro que tem feito a Petrobras bater recorde de lucro todos os anos. Eles não temem, hoje, a privatização, mas o desgaste que tem sido criado em cima da maior empresa petroleira de capital aberto do mundo”, afirma Deyvid.

Sinedino compartilha da ideia de que a defesa da imagem dos petroleiros e da Petrobras é fundamental para que a estatal volte a operar com indicativos melhores, e defende que cargos gerenciais não sejam ocupados mais por indicação dos acionistas, mas por meio de processo seletivo interno. “Os funcionários com vocação gerencial poderão, então, se preparar para o processo de seleção e se promover dentro da empresa. A Petrobras não pode mais ser loteada por indicações.”

Bacelar propõe que os trabalhadores tenham reuniões periódicas com os órgãos de auditoria da empresa. “Precisamos melhorar a comunicação do que ocorre na gestão e na base. Criar novos canais e novos modelos. O petroleiro não quer saber pela mídia o que ocorre na empresa que ele trabalha e que também é dele. Precisamos de mais informação para combater a desinformação.”

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