Por reajuste

Metalúrgicos abrem negociação; bancários e petroleiros preparam campanhas

Setor de autopeças, que vê ano 'difícil', propõe mudança de data-base a metalúrgicos da CUT em São Paulo, que recusam. Redução da jornada também é descartada por negociadores patronais

adonis guerra/smabc
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Biro-Biro: “Mesmo com as dificuldades, estamos na expectativa de uma boa campanha”

São Paulo – A primeira reunião entre a Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT) em São Paulo e o Grupo 3, que reúne os setores de autopeças, forjaria e parafusos, foi cordial, com os primeiros relatos de dificuldades. Os representantes das empresas expuseram uma situação negativa, mas mesmo assim os sindicalistas apostam em um bom acordo, com aumento real (acima da inflação), como nos anos anteriores. O grupo patronal abrange aproximadamente 51,5 mil dos 215 mil metalúrgicos na base cutista no estado. A data-base é 1º de setembro.

Esse item, inclusive, virou pauta das empresas, que reivindicaram a mudança do período de negociação para junho. “Há uma melhor possibilidade de fazer uma previsão de como será o ano econômico”, disse o coordenador da bancada patronal, Drausio Rangel. “Lutamos muito para unificar (a data-base em setembro)”, refutou o presidente da FEM-CUT, Valmir Marques da Silva, o Biro-Biro. Da mesma forma, as empresas rejeitam a reivindicação de redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. “Achamos que não há possibilidade nenhuma de atender, à medida que isso representa um custo na produção”, comentou Rangel.

Para o dirigente da federação, o discurso é habitual no início da negociação. “A gente sabia que haveria uma certa reclamação do setor patronal. Todos os anos, independentemente da condição econômica, sempre houve essa reclamação”, observa. “Mesmo com as dificuldades, estamos na expectativa de uma boa campanha.” Biro-Biro observa que, de 18, 20 acordos no setor metalúrgico no primeiro semestre tiveram aumento real. Agora, há alguns fatores favoráveis, como a retomada do acordo Brasil-Argentina no setor automobilístico e a extensão do IPI reduzido até o fim do ano, além da expectativa positiva para o financiamento para aquisição de caminhões pelo BNDES, via PSI-Finame.

“Fizemos um panorama das dificuldades que as empresas de autopeças estão enfrentando neste momento”, afirma o negociador do Grupo 3, citando fatores como baixo crescimento, inflação alta, retração do consumo e queda nas vendas do setor automobilístico. “Isso nos deixa bastante vulneráveis. É um ano difícil.”

O fato de este ano só serem negociadas cláusulas econômicas (as sociais valem até 2015) pode acelerar as negociações, acredita o sindicalista. Foram marcadas mais três reuniões, a primeira na próxima terça-feira (22). No total, os metalúrgicos da CUT entregaram pauta para seis bancadas patronais. A base da Força Sindical tem data-base em 1º de novembro.

Bancários e petroleiros

Também com data-base em setembro, bancários e petroleiros estão preparando suas campanhas salariais. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) realizará congresso dos dias 25 a 27 deste mês, em Atibaia, interior paulista. Já a Federação Única dos Petroleiros (FUP) tem congresso marcado para 14 a 17 de agosto, em Natal. Nos dois casos, a negociação é nacional.