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Centrais sindicais e Comissão da Verdade farão ato pelos 30 anos de greve geral

Ato na segunda-feira (22) lembrará 1983, quando o movimento sindical chamou a população para uma paralisação contra o regime autoritário
por Flávia Albuquerque, da Agência Brasil publicado 16/07/2013 17h52, última modificação 16/07/2013 18h37
Ato na segunda-feira (22) lembrará 1983, quando o movimento sindical chamou a população para uma paralisação contra o regime autoritário
marcelo camargo/abr
rosa cardoso

Rosa: haverá investigações sobre os sindicatos invadidos, quantos e quais dirigentes foram cassados e presos

São Paulo – A Comissão Nacional da Verdade e o Coletivo Sindical anunciaram hoje (16) a realização de ato público, no próximo dia 22, para marcar os 30 anos da greve geral de 1983, quando o movimento sindical chamou a população para uma paralisação contra o regime militar em vigor na época. O ato do dia 22 pretende ainda chamar a atenção para o fato de que, naquele período, diversas empresas contribuíram com a ditadura militar e apoiaram a perseguição de seus trabalhadores pelos órgãos de repressão do governo, inclusive fornecendo listas com nomes de pessoas que poderiam ser consideradas contra o governo.

O evento é organizado principalmente pelo Coletivo Sindical, composto por nove centrais: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores (CGTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central, Intersindical, Central Sindical Popular (Conlutas), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)), que formou um grupo de trabalho chamado A Verdade e a Memória dos Trabalhadores por Justiça e Reparação.

O movimento será feito no Sindicato Nacional dos Aposentados, na rua do Carmo, centro de São Paulo. Será aberto ao público.

A coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, disse que o grupo de trabalho e a comissão farão investigações sobre os sindicatos que foram invadidos na época do regime militar, quantos e quais dirigentes sindicais foram cassados e presos pela ditadura, além de levantamentos sobre a destruição do patrimônio documental e físico dos sindicatos e a vinculação das empresas com a repressão.

Também serão investigadas a relação do serviço de segurança das empresas estatais e privadas com a repressão e a atuação das Forças Armadas, a legislação antissocial e antitrabalhadores, a repressão às greves, o tratamento dado à mulher trabalhadora durante a repressão, a avaliação dos prejuízos causados aos trabalhadores e suas entidades para reparação moral, política e material.

“O levantamento desses dados nos permitirá reconstituir essa história, que é fundamental, porque a história do regime e do golpe militar está centrada na destruição de um estado desenvolvimentista onde a classe trabalhadora vinha avançando em suas conquistas. Então, não há dúvida de que eles denunciavam mesmo um golpe contra a república sindical que estava em construção no país, com o objetivo de ascensão da classe trabalhadora e de melhores condições de vida”, disse Rosa.

Ao final das investigações a Comissão Nacional da Verdade e o Coletivo Sindical farão um relatório detalhado que será usado para buscar as reparações julgadas necessárias. “A reparação pela violação dos direitos fundamentais e humanos é nova no Brasil, e vamos ter que construir uma estratégia para conseguir isso, porque é algo que ainda não existe no país. O movimento sindical tem entendido que as reparações feitas pela Comissão de Anistia não são satisfatórias quanto às indenizações concedidas para aos trabalhadores e seus parentes. Isso também vai ser estudado”, disse Rosa.