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Metalúrgicos querem fim de restrições ao crédito para combater queda na produção de veículos

por Redação da RBA publicado , última modificação 09/05/2012 12h42

São Paulo – O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC apresenta hoje (9), na reunião do Conselho de Competitividade do Setor Automotivo do Plano Brasil Maior, em Brasília, reivindicações consideradas emergenciais para combater a queda na produção de veículos e os altos estoques nas montadoras. Na segunda-feira (7), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) anunciou queda de 15,5% na produção de veículos de março para abril. 

Em nota, o sindicato informa que pedirá o fim das restrições ao crédito ao consumidor, redução dos juros  e ampliação dos prazos de financiamento de veículos. E ainda, uma política específica para caminhões, com redução do preço, barateamento do combustível e aditivo e ampliação da rede de distribuição e abastecimento. 

De acordo com o comunicado, assinado pelo presidente da entidade, Sergio Nobre, a aprovação dessas medidas, em caráter urgente, pode evitar que a produção e venda de veículos continue caindo e ameace os empregos na cadeia produtiva. 

Acordos

A nota traz ainda um quadro das principais medidas adotadas pelas montadoras para enfrentar períodos de altos estoques. A Volkswagen adotou, há 15 dias, semana de quatro dias e cortou dois sábados extras. A empresa também utiliza o acordo de bancos horas para enfrentar os altos e baixos da produção. A Mercedes-Benz colocou 480 trabalhadores em licença remunerada, por 30 dias, até 4 de junho. O sindicato negocia com a montadora mais dias de paralisação de produção.

O acordo com a Ford prevê que cada trabalhador fique 40 dias em casa ao longo de 2012, programados de acordo com o banco de horas. A produção na fábrica de caminhões parou ontem (8) e só retornará na semana que vem. A Ford adotou a semana curta desde o início do ano – trabalha-se quatro dias em vez de cinco. A Scania, que já parou sua produção por quatro dias em fevereiro e em maio, negocia com o sindicato novas paradas de produção. 

Reação

Os metalúrgicos afirmam que as financiadoras estão dificultando a liberação de empréstimos para a compra de carros com novas exigências e aumento no valor da entrada. Hoje, apenas um terço dos pedidos de financiamento são liberados. Para o secretário-geral da entidade, Wagner Santana, "quando as financiadoras agem assim, os novos compradores não conseguem crédito para adquirir novos veículos e a produção desaba". 

O dirigente acredita que as instituições financeiras estão reagindo à queda de juros anunciadas pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. De acordo com ele, os bancos privados travam uma queda-de-braço com o governo federal para que os juros voltem a subir.-