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Sete escravos são libertados em pedreira no Rio de Janeiro

Trabalhadores resgatados em Santo Antônio de Pádua (RJ) exerciam atividades de risco sem proteção adequada. Proprietário nega exploração
por Bianca Pyl, da Repórter Brasil publicado , última modificação 17/04/2012 15h43
Trabalhadores resgatados em Santo Antônio de Pádua (RJ) exerciam atividades de risco sem proteção adequada. Proprietário nega exploração

São Paulo – Sete trabalhadores foram libertados de condições análogas às de escravos em uma pedreira de Santo Antônio de Pádua (RJ) durante operação conjunta realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Rodoviária Federal. Segundo as autoridades, o grupo trabalhava para João Luís Belloti Nacif. A ação foi realizada entre 12 e 16 de março, motivada por uma denúncia encaminhada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) à Polícia Federal de Nova Friburgo.

Ainda de acordo com a equipe de fiscalização, os trabalhadores libertados eram submetidos a jornadas exaustivas e não contavam com equipamentos de proteção individual (EPI). Além disso, outras irregularidades que colocavam em risco a saúde e segurança do grupo foram constatas pela fiscalização. Os resgatados receberam verbas rescisórias e guias para sacar o Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado. O empregador assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT.

Cerca de 20 pedreiras foram alvo de fiscalização e tiveram suas atividades interditadas por conta das irregularidades. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, com a chegada da fiscalização, muitos trabalhadores fugiram mata adentro.

Outro lado

João Luís, proprietário da pedreira, nega o flagrante de trabalho escravo. "Isto não existe aqui no estado do Rio de Janeiro, a minha pedreira fica dentro da cidade", afirmou à Repórter Brasil por telefone. Na realidade, não são poucas as denúncias de trabalho escravo no Rio de Janeiro nos últimos anos e, na última atualização do cadastro de empregadores flagrados, a chamada Lista Suja, há inclusive caso de trabalho escravo urbano no estado.

O proprietário não só rejeita a denúncia, como também nega irregularidades constatadas pela fiscalização. Ele diz que somente parte dos trabalhadores não estava com equipamentos de proteção individual (EPI), diz que disponibilizou o material e que alguns não o utilizavam porque não queriam. "Aqui também tem banheiro e filtro com água. Todos estavam com carteira assinada", ressalta o empresário. 

Além de negar a exploração de trabalho escravo, ele diz que a foto divulgada pelo MPT não é da sua pedreira. À reportagem, a assessoria de imprensa do órgão confirmou que trata-se sim de imagem de um dos libertados na propriedade.