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TST e Ronaldo falam de segurança aos operários do Maracanã

por Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual publicado 02/03/2012 18h49, última modificação 02/03/2012 19h30

Ronaldo Fenomeno, Flavio Francisco, João Oreste Dalazen, Bebeto, Luiz Fernando Pezão durante ato pela segurança na construção civil realizado no canteiro de obras do Estádio do Maracanã (Foto: Celso Pupo/ Fotoarena)

Rio de Janeiro – Os ex-jogadores Ronaldo Fenômeno e Bebeto voltaram ao Maracanã e foram as maiores atrações do evento organizado hoje (2) pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) para difundir normas de segurança entre os 4,5 mil operários que trabalham na reforma do estádio para a próxima Copa do Mundo. O evento, realizado sob sol forte em um palco armado ao lado da estátua de Bellini, na entrada principal do Maracanã, contou ainda com a presença do vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do presidente do TST e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, João Oreste Dalazen, além de diversas outras autoridades. 

Nas próximas semanas, eventos semelhantes serão realizadas nos outros 13 estádios brasileiros onde estão sendo feitas obras para a Copa de 2014. O objetivo do TST é fazer das obras nos estádios um emblema de eficiência na segurança do trabalho. 

Curiosamente, o Brasil ocupa hoje um lugar mais destacado no ranking mundial de acidentes de trabalho (4º lugar, com 31 mil acidentes por ano) do que no ranking de melhores seleções estabelecido pela Fifa (7º lugar): “Acompanhamos com enorme apreensão o crescente, grave e dramático número de acidentes do trabalho no nosso país. O número mais do que dobrou, se compararmos os dados estatísticos oficiais de 2001 e 2010. Isso quer dizer que a cada ano estamos formando um trágico exército de inválidos”, disse Dalazen.

 O presidente do TST afirmou que o setor de construção civil é prioridade: “De todas as atividades da economia, a construção é o setor que, em números absolutos, tem mais acidentes graves e fatais. Em 2010, cento e cinqüenta trabalhadores da construção civil se acidentaram a cada dia no Brasil. Desses, muitos nunca mais voltaram para trabalhar porque morreram ou porque ficaram inválidos para qualquer atividade profissional”, disse. 

Dalazen afirmou que o crescimento do Brasil aumenta a preocupação com a segurança do trabalho e fez um alerta: “Esse cenário tende a agravar-se, pois o país abre hoje um enorme canteiro de obras - estádios, usinas, obras do PAC - e nós sabemos que a pressa para concluir uma obra também pode ser uma grande inimiga”, disse.

O ministro Gilberto Carvalho cumprimentou os operários em nome da presidente Dilma Rousseff e pediu que ficassem atentos a algumas conquistas recentes: “Depois que houve aquela grande crise em Jirau e Santo Antônio, nós resolvemos sentar para conversar com os sindicatos dos trabalhadores da construção civil e da construção pesada, o setor patronal e o governo. Durante dez meses, quebramos o pau, discutimos e chegamos a um acordo muito importante. Foi firmado um pacto e daqui pra frente nós teremos em todas as obras uma comissão de trabalhadores, eleitos por vocês, para dialogar com as empresas no próprio local de trabalho”.

Carvalho, que foi recebido com frieza, acabou bastante aplaudido pelos trabalhadores quando citou outros temas: “Vamos também acabar com o gato, com o intermediário que muitas vezes engana o trabalhador e vende condições ilusórias de trabalho. Além disso, vamos investir na formação e na qualificação do trabalhador da construção civil”, disse o ministro. Ele também garantiu que, “a partir de agora, o governo não quer mais condições indecentes de trabalho na construção civil no Brasil”.

Promessa é dívida

 Aplausos mesmo, no entanto, quem recebeu foram os ex-atacantes da Seleção e campeões do mundo Bebeto e Ronaldo. Representante do Comitê Organizador da Copa, o Fenômeno chegou atrasado, exatamente quando estava sendo executado o Hino Nacional, e provocou nos operários um alvoroço tão grande que fez a Banda do Corpo de Bombeiros inaudível.

 Em suas falas, ambos, que sofreram muito com as investidas dos zagueiros adversários, usaram o exemplo da caneleira para falar em segurança do trabalho: “Quando eu comecei a jogar profissionalmente, ainda não era obrigatório o uso da caneleira. Cada pancada que eu levava na canela, inchava e às vezes eu tinha de ficar uma semana parado. Depois, o uso desse nosso equipamento de segurança passou a ser obrigatório, e as pancadas na canela já não eram um problema”, disse Ronaldo, lembrando que “sofreu também outros acidentes de trabalho”.

Ronaldo prometeu aos operários que, quando o Maracanã ficar pronto, vai trazer "amigos jogadores e ex-jogadores" para jogar uma pelada com um time formado pelos operários no novo gramado.

Bebeto, para delírio de parte dos operários, contou que começou a usar caneleira após ser chamado à atenção para isso por Zico durante um treino. O ex-craque, que jogou pelo Flamengo, Vasco e Botafogo e é um dos dez maiores artilheiros da história do Maracanã, falou que o estádio é o mais importante onde já atuou.

Deputado estadual pelo PDT e também representante do Comitê Organizador da Copa, Bebeto acabou emocionando alguns operários ao dizer do orgulho que teriam ao trazer os filhos ao estádio daqui a 15 ou 20 anos e dizerem que trabalharam naquela reconstrução: “Vocês são fundamentais”, disse aos trabalhadores, antes de distribuir abraços e autógrafos ao lado de Ronaldo.

Também muito aplaudido, o iatista e medalhista olímpico Lars Grael afirmou que, com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Brasil “vai sediar os dois maiores eventos da humanidade” e precisa aproveitar essa oportunidade: “Mais importante do que o Brasil conquistar medalhas e títulos, é o país poder ter a sensação de que Olimpíadas e Copa do Mundo só serão um sucesso se for um sucesso para todo o povo brasileiro, de Roraima ao Rio Grande do Sul, do Acre à Paraíba. Precisamos avançar, na mesma proporção, em educação, em saúde, em segurança, em saneamento e, conseqüentemente, no esporte”, disse.