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Ceagesp suspende edital por 15 dias e trabalhadores encerram paralisação

por Elaine Patricia Cruz e Marli Moreira, da Agência Brasil publicado 29/03/2012 19h53, última modificação 29/03/2012 20h00

São Paulo – Os trabalhadores da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) decidiram hoje (29) à tarde encerrar a paralisação iniciada ontem (28) contra o edital que prevê um novo sistema de controle do estacionamento no local.

Segundo o diretor administrativo do Sindicato dos Permissionários das Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sincaesp), José Luiz Batista, a paralisação terminou por volta das 14h, após a decisão da Ceagesp de suspender o edital por 15 dias, prorrogáveis por mais 15, para discussão dos pontos em que há divergência.

A decisão foi tomada e comunicada à direção da Ceagesp, por escrito, após reunião entre representantes de cinco sindicatos e associações de permissionários, que decidiram aceitar a proposta da companhia de suspensão temporária do edital. Por volta das 15h, o fim da greve foi comunicado aos manifestantes. O movimento será suspenso até que o edital seja apresentado e discutido entre a companhia e os permissionários.

A paralisação na Ceagesp ocorreu porque na próxima segunda-feira (2) seria escolhida uma das empresas inscritas no processo de licitação para explorar o estacionamento. A ganhadora do processo terá de investir cerca de R$ 20 milhões na modernização do espaço, o que, segundo o diretor operacional da Ceagesp, Luiz Ramos, implicará repasse de custos aos usuários.

Com isso, um caminhão de dois eixos que estacionar por até dez horas no local pagará R$ 10 e ficará sujeito a uma tarifa punitiva de R$ 50 se passar desse prazo. Para um caminhão de três eixos, a taxa, também por dez horas,  é R$ 11, com tarifa punitiva de R$ 60 para as horas excedente. De acordo com a companhia, 90% dos caminhões que entram no entreposto ficam estacionados por até dez horas.

Hoje de manhã, manifestantes bloquearam a entrada de caminhões e o acesso ao estacionamento, sob vigilância de policiais militares. Perto do escritório da direção, grupos de trabalhadores esperavam medidas que revertessem a previsão de cobrança do estacionamento dos veículos usados na movimentação de mercadorias. “O diálogo com a companhia nos foi negado, e isso causou a paralisação. Agora, vamos começar o diálogo sobre os pontos do edital em que há divergência. Não somos contra o projeto. Somos contra nossa não participação no edital”, disse Batista.

Em entrevista coletiva no fim da tarde, o presidente da Ceagesp, Mário Maurici, disse que os pontos divergentes serão discutidos, mas descartou um recuo quanto à cobrança do estacionamento. “Não vamos recuar. A questão não é cobrança de taxa, é controle do mercado. Numa área como essa, de 700 mil metros quadrados, há pessoas andando livremente de um lado para outro. É impossível dirigir uma instituição nessas condições. Precisamos implantar os controles, e esses investimentos precisam ser cobertos.”

Para garantir a normalidade no abastecimento e na comercialização de produtos no local, a direção da Ceagesp obteve liminar do juiz Julio Cesar Silva de Mendonça Franco, da 1ª Vara Cível do Foro Regional IV-Lapa, requisitando a força policial necessária para que a posse do local seja retomada, caso algumas pessoas decidam continuar a movimentação. “Isso significa que a comercialização está sendo reaberta a partir de agora (16h30). Esperamos que o abastecimento no estado e no país não sejam comprometidos por essa ação”, disse Maurici.

Segundo ele, a Ceagesp movimenta diariamente 10 milhões de quilos de produtos, e o preço médio do quilo das mercadorias comercializadas é R$ 1,40. Estima-se que, em um dia e meio de paralisação, o prejuízo tenha chegado a R$ 21 milhões.

No ano passado, o mercado estabelecido com os permissionários movimentou R$ 5 bilhões, disse Maurici. Desse total, cerca de R$ 21 milhões foram pagos pelos permissionários à companhia, a título de aluguel. “Ou seja, 0,5% do que é movimentado aqui é arrecadado para a Ceagesp, que tem obrigação de zelar pela infraestrutura, pela segurança do alimento, pela agilidade da carga e descarga”, reclamou Maurici. “Esse é um espaço público. Não há por que oferecer vantagem de um setor público para um setor privado”, ressaltou.

Um dos maiores entrepostos do mundo, responsável pelo abastecimento de quase metade dos hortifrutigranjeiros consumidos no país, a Ceagesp era uma empresa estadual e, há 13 anos, foi trocada por uma dívida que o Estado de São Paulo tinha com o governo federal, explicou Maurici.

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