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Cinco maiores bancos receberam de remuneração compulsória R$ 33,6 bilhões

Dado de 2011 representa alta de 97,4% em comparação com 2010
por Redação da RBA publicado 28/02/2012 17h37, última modificação 28/02/2012 18h36
Dado de 2011 representa alta de 97,4% em comparação com 2010

São Paulo - Os cinco maiores bancos do país receberam R$ 33,6 bilhões em 2011 como remuneração pelo depósito compulsório, após medidas adotadas em dezembro de 2010 pelo Banco Central. O depósito é um dos instrumentos do BC para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia, ajudando a reduzir os juros bancários. Pelo compulsório, os bancos têm de depositar ao BC parte dos recursos depositados por seus clientes.

O dado consta da Pesquisa de Desempenho dos Cinco Maiores Bancos em 2011, realizada pela subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com base nos balanços anuais do Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

De acordo com a entidade, o aumento do ganho dos bancos pela remuneração compulsória se deve, principalmente, ao pacote anunciado pelo BC em 2010, que elevou o compulsório de 15% para 20% e instituiu o compulsório adicional de 8% a 12% sobre depósitos à vista e a prazo. O ganho dos bancos por meio deste sistema em 2011 foi 97,4% maior do que em 2010. Naquele ano, R$ 17 bilhões foram repassados às instituições. O lucro dos bancos foi bastante positivo: R$ 3,5 trilhões ao total, representando 18,1% de crescimento.

Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT, considera os números "absurdos", uma vez que se trata de dinheiro público destinado aos bancos. Embora admita que a iniciativa do BC de adotar medidas para o aquecimento da economia seja positiva, ele ressalta que o pacote serve como "incremento" aos banqueiros. "Mais uma enorme transferência de renda da sociedade brasileira para o setor financeiro, um dos que mais lucra no país”, afirmou.

O levantamento revela contraste entre o número de agências abertas durante o ano e a contratação de bancários. Foram 9% mais agências em comparação com 2010 (18.624 unidades no total), ante um crescimento de 2,8% no número de funcionários, totalizando 456.987. Entre os cinco bancos, os três que possuem mais funcionários são o Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco (316,7 mil no total), e também são, respectivamente, os líderes no número de agências. “A falta de funcionários prejudica clientes e trabalhadores. Os únicos beneficiados são os bancos”, sustentou Barros.

Após perder no final de 2011 para o Banco do Brasil os postos no Banco Postal, dos Correios, o Bradesco foi a instituição que mais abriu agências no período do ano passado, passando de 3.628 para 4.634 (crescimento de 27,7%), e também é líder na criação de postos de trabalho, com 9.496 ao total. Já o Itaú terminou o ano cortando 3,97% de seu quadro de funcionários, com 4.058 postos fechados.

"Agora o Bradesco resolve que essas localidades magicamente passaram a ter clientes e viabilidade financeira o bastante para receber agências. Ou estavam enganados ou se tratava apenas de uma estratégia para reduzir custos, oferecendo aos clientes de baixa renda um tratamento de segunda categoria”, pontuou o dirigente. A modalidade dos correspondentes bancários é criticada pelos sindicalistas da categoria por precarizar o trabalho, além de não oferecer segurança e os mesmos direitos de um bancário a um atendente do posto bancário fora da agência.

 

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