Apesar de recuperação recente, salários no Brasil ainda são baixos

Dieese aponta que aumento real de 2008 a 2011 foi de 4,56%. Crescimento projetado para a economia no período é de 16%

São Paulo – Mesmo com os resultados positivos das campanhas salariais nos últimos anos, os rendimentos no Brasil continuam baixos. “Se a gente tomar o PIB como uma referência de produtividade, o aumento real médio está muito abaixo do crescimento da economia”, diz José Silvestre Prado de Oliveira, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Nesta quinta-feira (18), foi divulgado o balanço das negociações salariais do primeiro semestre de 2011.

O Produto Interno Bruto (PIB) de 2010, por exemplo, cresceu 7,5%, enquanto o aumento real de salário foi de 1,7%. Em quatro anos, de 2008 a 2011, o valor médio do aumento real chega a 4,56%. Com uma variação estimada para o PIB de 4% em 2011, o crescimento desde 2008 chegaria a 16%.

No primeiro semestre deste ano, os reajustes salariais ficaram mais próximos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), tanto para cima (aumentos reais) como para baixo. No período de 2008 a 2011, o resultado acumulado mostra 91% das negociações com aumentos reais, 1% com índices equivalentes à inflação e 8% com perdas. Também nesses quatro anos, 21% dos ganhos reais superam os 7%, enquanto que 11% ficaram acima de 10%.

Silvestre lembra que, enquanto se repetia o discurso de que os trabalhadores deveriam ser mais comedidos em sua reivindicações, a produtividade média cresceu acima dos salários. Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, observa que o aumento da massa salarial ocorre, basicamente, pelo crescimento do número de contratações e não por elevação salarial.

Isso acontece, por exemplo, no mercado formal de trabalho, que abriu 1,5 milhão de vagas este ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). “Claro que é positivo. Mas esse aumento do número de trabalhadores com carteira assinada é prioritariamente de baixa remuneração.” Assim, acrescenta o sindicalista, a massa cresce, mas a participação dos salários na riqueza ainda patina.

O resultado é que a participação dos salários na renda nacional ainda está buscando se recuperar. De acordo com o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, de 1995 a 2003, a renda do trabalho perdeu 9% de seu peso relativo na renda nacional, enquanto de 2004 a 2010 a trajetória se inverteu, e houve crescimento de 10,3%. A participação dos salários hoje está próxima dos 45%, mas no início dos anos 1960 atingiu quase 60%.

Reajustes ante a inflação nos últimos quatro anos

Ano Acima do INPC (%) Igual ao INPC (%) Abaixo do INPC (%)
2008 77,3 10,8 11,9
2009 74,8 17,0 8,2
2010 86,7 9,6 3,7
 2011 84,4 8,8 6,8

Fonte: Dieese

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