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Sem a CUT, centrais boicotam anúncio de plano para política industrial do governo

Segundo secretário-geral da CUT, entidade aproveitará momento para entrega de propostas. Demais centrais reclamam de falta de diálogo e de conhecimento do plano
por leticiacruz publicado 29/07/2011 15h55, última modificação 29/07/2011 18h33
Segundo secretário-geral da CUT, entidade aproveitará momento para entrega de propostas. Demais centrais reclamam de falta de diálogo e de conhecimento do plano

São Paulo – Dirigentes de cinco centrais informaram, nesta sexta-feira (29), que não estarão presentes na reunião de anúncio da Política de Desenvolvimento da Competitividade (PDC), programada para a próxima terça-feira (2). Eles afirmam que o convite feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, foi apresentado sem que lhes fosse oferecida a oportunidade de participar da construção das propostas.

Assinam a nota o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, o presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), José Calixto, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah e o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes.

Das seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apenas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não firma o comunicado. Segundo Quintino Severo, secretário-geral da CUT, representantes da entidade devem comparecer ao ato para entregar as reivindicações sobre o setor.

Mesmo com a disposição de diálogo aberta pelo convite da presidenta Dilma Rousseff às centrais para reunião nesta segunda-feira (1º), os integrantes das cinco centrais estão decididos a não comparecer. A informação foi confirmada pelo secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

Queixas

As cinco centrais argumentam que estão tentando buscar alternativas junto às empresas e ao governo para apresentar propostas que contenham a importação e a carga tributária, além de estimular a produção interna. Apesar disso, os sindicalistas dizem não terem sido chamados para as decisões sobre a política industrial. "Diante desse quadro, não nos parece adequado que as centrais sindicais e os empresários sejam chamados agora, de surpresa, apenas para tomar conhecimento e aplaudir medidas que desconhecem", diz a nota divulgada pelas entidades.

A disposição dos sindicalistas em dialogar com o governo também foi um ponto tratado no texto. "Deixamos claro que sempre estaremos prontas para conversar com o governo e apelamos à presidenta Dilma para que o diálogo necessário se torne uma prática constante com as centrais sindicais, especialmente quando se tratar de decisões que afetem o emprego e a sobrevivência da indústria nacional."

Em entrevista coletiva nesta semana, representantes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM, vinculada à CUT), Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM, ligada à Força Sindical) e Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (FitMetal, vinculada à CTB), cobraram o diálogo do governo com os trabalhadores sobre o tema.

Prazo

Em reunião nesta sexta, a presidenta Dilma descartou a possibilidade de adiamento da nova polític, segundo o jornal Valor Econômico. Fernando Pimentel e seus colegas da Fazenda, Guido Mantega, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, têm até a próxima segunda (1º) para encontrar fórmulas de atender a pleitos de empresários para o plano.

O desafio é aprofundar medidas que ampliem a competitividade da indústria nacional. Acredita-se que as ações contemplem incentivo às empresas que apostam em ciência e tecnologia, além da redução do impacto da valorização do real. São esperadas medidas para a defesa comercial e estímulo à exportação.