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SP sedia encontro internacional de sindicalistas

por Elisângela Cordeiro publicado 16/03/2010 11h16, última modificação 16/03/2010 12h30

São Paulo - Representantes de bancários do Santander e do HSBC de pelo menos 19 países das Américas, Europa e Ásia desembarcam em São Paulo para um evento inédito cujo objetivo é discutir um acordo marco global válido para trabalhadores desses bancos em todo o mundo.

No seminário que contará também com a participação de representantes das direções desses bancos será lançada a campanha mundial "Banking on workers' rigths in Santander and in HSBC" (Direitos iguais para bancários do Santander e do HSBC no mundo).

O encontro acontece entre os dias 17 e 18 de março (quarta e quinta-feiras), no Hotel Braston (Rua Martins Fontes, 330, Centro). No primeiro dia, os trabalhos começam às 9h, com uma homenagem aos trabalhadores antes da abertura oficial do seminário. O artista Rodrigo Yokota, o Whip começará a fazer um grafite em tela, cuja obra representará a igualdade de direitos para os bancários desses bancos mundiais. O trabalho do artista, que deverá ser concluído no fim do dia, deverá percorrer exposições pelo mundo para representar a reivindicação mundial.

A abertura oficial do evento começa logo após o início dos trabalhos do artista, e contará com a presença de Oliver Röethig, presidente da Uni Sindicato Global, os presidentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, além de representantes do Santander e do HSBC. Às 11h está programada uma coletiva de imprensa.

O presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, que também é vice-presidente da Uni Finanças, explica a intenção é de que a campanha resulte num acordo que a ser assinado por trabalhadores e bancos, garanta direitos fundamentais e conquistas como organização sindical sem ingerência patronal e à sindicalização sem retaliações, repressão ou discriminação. A ideia é ter como base os direitos assegurados nas determinações da OIT (Organização Internacional do Trabalho), entre outros.

Os bancários promovem na quinta dia 18, a partir das 8h, no Centro Administrativo Santander (Casa 3), Santo Amato, um atividade bem humorada em defesa do Acordo Marco Global. Bexigas, malabares e pernas-de-pau chamam atenção para importância do tema. Às 11h30, representantes dos Sindicatos, reúnem-se com bancários do local, onde trabalham cerca de 2.500 pessoas.

Também na quinta 18, às 10h representantes dos Sindicatos reúnem-se com representantes da área de recursos humanos do HSBC.

Todas as informações sobre o seminário podem ser acompanhadas pelo site www.bankonrights.org.

UNI Finanças

Braço da UNI Sindicato Global, que representa 20 milhões de trabalhadores de cerca de 900 sindicatos ao redor do mundo – entre eles a Contraf, que representa os bancários brasileiros – e que está à frente da organização do evento. A UNI já firmou acordos marcos com multinacionais como a seguradora Allianz, a rede de supermercados

Carrefour e as empresas de telecomunicações Portugal Telecom e Telefonica.
Para a diretora do Sindicato Rita Berlofa, e coordenadora da Rede dos Trabalhadores do Santander na América pela UNI Finanças e pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul, esse acordo não é importante apenas para os trabalhadores, mas também para as empresas, pois agrega valor de responsabilidade social a suas imagens. "Bancos globalizados precisam de acordo global", opina a sindicalista.

Os primeiros passos para que os acordos marcos com os dois bancos se tornem realidade foram dados no ano passado, com reuniões entre grupos de trabalho nos países. No Brasil, sindicalistas enviaram cartas às direções dos bancos e reuniram-se com o Santander e o HSBC no dia 10 de fevereiro para iniciar as tratativas.

Responsabilidade social

O presidente da UNI Global, Oliver Röethig, lembra que HSBC e Santander empregam juntos cerca de 466 mil pessoas no mundo "e precisam provar que são sérios com relação a seus compromissos com a responsabilidade social assinando os acordos globais. Nós estamos prontos para negociar."

A atitude tomada pelo HSBC há cerca de quatro anos é uma forma de ilustrar a importância de um acordo que valha para todos os países do mundo. Na oportunidade, o banco britânico mudou seu setor de call center da Inglaterra para a Malásia e para a Índia. "Na Inglaterra, os bancários trabalhavam quatro horas por dia e recebiam entre 2 mil e 2,5 mil euros por mês. Na Ásia, as jornadas passaram de oito a 12 horas por dia e os salários passaram em média para 400 dólares mensais."

Nos Estados Unidos, por exemplo, os bancários não têm direito à constituir sindicatos, à licença-maternidade, à licença-médica. Em média um bancário não sindicalizado recebe US$ 8 a hora de trabalho, enquanto um trabalhador sindicalizado da área de serviço ganha US$ 14 para o mesmo período.

Informações fornecidas pelo Seeb-SP

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